Domingo, 22 de Julho de 2012

Relvas, Passos Coelho e a dependência de Gaspar

 

Os leitores online do Económico votaram massivamente em Miguel Relvas no inquérito de 'pior ministro do Governo', uma escolha que não surpreende, mas revela muita coisa. Especialmente porque é que, em pleno Verão Quente, Pedro Passos Coelho não pode despedir o seu ministro-adjunto e está nas mãos do seu ministro das Finanças, Vítor Gaspar.

As votações online não são notícias, nem têm a ambição de sê-lo, são inquéritos 'vox populi', valem aquilo que quisermos que valham. E normalmente, são desvalorizados quando as votações não são de feição, ou são barómetros imunes a manipulações quando vão ao encontro de interesses e desejos. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, nem são lixo, nem são ouro. Têm um significado e um mérito, neste caso políticos, que devem ser lidos de forma cuidada, porque são uma expressão popular. E por isso não devem ser substimados. É isso mesmo que revelam quando, durante uma semana, milhares de leitores votaram em Miguel Relvas como 'o pior ministro do Governo'. Os sucessivos casos em que se viu envolvido, tarde e mal-explicados, a que se somou o anedotário nacional que, como um vírus, alastrou nas redes sociais e foi amplificado pela comunicação social, teria de dar o resultado que deu.

Se Miguel Relvas é 'o pior ministro', porque é que Pedro Passos Coelho não o demite? Ainda não sabemos como é que Pedro Passos Coelho gere as remodelações governamentais, o que valoriza, o que tem em conta na avaliação dos seus ministros e secretários de Estado. Mas, à luz desta votação, sabemos uma coisa: Relvas é o pára-raio do primeiro-ministro, não é só o homem de confiança que contribuiu decisivamente para a sua chegada ao poder. Além disso, os portugueses responsabilizam Pedro Passos Coelho pelas políticas e pelos resultados. E poupam os ministros, que são transformados em ajudantes, na velha expressão de Cavaco Silva. Mesmo Nuno Crato e Paulo Macedo, que têm estado expostos a uma pressão alta de duas corporações - professores e médicos - basicamente por emprego e salários ficam muito longe das votações de Miguel Relvas e, logo a seguir, de Passos Coelho. Assim, se sai Relvas, Passos passa a ser o pára-raio de Passos. Insustentável para qualquer primeiro-ministro.

Se Passos não pode dispensar Relvas, está nas mãos de Vítor Gaspar. O ministro da austeridade  foi o menos votado, logo, é o melhor ministro deste Governo. Especialmente porque o inquérito é no site de um jornal económico - www.economico.pt - e os leitores são mais informados do que a média do País. Gaspar não está em estado de graça, mas tem um estado de graça. É credível na austeridade, mas deixará de o ser se os resultados não aparecerem.

A remodelação do Governo, arrisco sem recurso a votação online, será feita em Setembro, depois da revisão do acordo com a 'troika', ou Novembro, depois da aprovação do Orçamento para 2013. Em qualquer dos momentos, a decisão do primeiro-ministro terá também em conta o vox-populi dos inquéritos online.

publicado por concorrenciaperfeita às 21:45
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