Terça-feira, 31 de Julho de 2012

Um negócio, mesmo, da China

 

O Governo fez mesmo um negócio da China quando vendeu uma participação de 21,35% da EDP à China Three Gorges, porque correspondeu a um encaixe de 2,7 mil milhões de euros para o Estado, mas sobretudo porque deu um novo futuro à companhia.

Quando chegou à EDP, António Mexia desenhou a estratégia perfeita, suportada no apoio político do Governo, que queria uma bandeira: a energia renovável. E fê-lo, arriscando e diversificando a aposta em mercados com uma evolução e maturidade diferente. Esse balanceamento de risco - quer entre o que se designa por produção de energia convencional e a renovável, por um lado, e os mercados de investimento, por outro - foi nos últimos seis anos um factor crítico de sucesso, para crescer, bater recordes de lucros e remunerar os accionistas.

António Mexia reforçou a posição da EDP em Espanha e apostou (quase) tudo nos Estados Unidos, além da posição, ainda pequena, no Brasil. Foram, aliás, estes mercados que suscitaram o interesse e a cobiça dos candidatos à privatização da empresa. Mas este crescimento exigiu dívida, muita, e que hoje passa os 18 mil milhões de euros, um valor suportável no balanço da companhia que actua num mercado regulado e, por isso, com receitas estáveis, num mundo suportável. Mas o mundo mudou, os mercados fecharam-se para as empresas portuguesas e os governos por esse mundo fora estão a olhar, e a cortar, em tudo o que podem, nomeadamente quando se trata de actividades reguladas, como é o caso da EDP.

Os mercados norte-americano e espanhol passaram de mercados sem risco a apostas incertas, pela crise económica, mas também pela perspectiva de mudanças regulatórias que põem em causa os resultados esperados. É aqui que um endividamento que corresponde a um rácio de dívida superior a quatro vezes o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) pode tornar-se um problema sério. Quem é que arrisca o comportamento do mercado de capitais nos próximos 24 meses? A maturidade da dívida da EDP é, em média, de quatro anos, mas o agravamento dos custos financeiros no primeiro semestre são um sinal de que ninguém pode dormir descansado. É aqui que entra o negócio da China, tanto mais importante quanto mais se acentua a crise financeira internacional.

Os chineses da Three Gorges são relevantes não só porque abrem novos mercados à EDP e permitirão manter um equilíbrio de riscos entre os diversos mercados, como garantem um acesso a financiamento a taxas competitivas face ao que seria um juro cobrado a uma EDP 'portuguesa'. E garantem o futuro.

 

 

 

A revista Exame revelou esta semana o ranking das 25 maiores fortunas do País em 2012, que também encolheram, e muito à conta da crise. Mas o exercício, difícil e com fortes limitações de informação, tem um mérito maior do que a identificação dos bilionários, é um retrato cru do País e das nossas dificuldades. Em primeiro lugar, ressalta que os líderes dos negócios não transaccionáveis lideram a lista dos mais ricos. Alexandre Soares dos Santos e Belmiro de Azevedo são, respectivamente o 1º e 3º bilionários. É melhor ser 'merceeiro' do que banqueiro. Em segundo lugar, na lista dos 25 mais ricos saltam à vista fortunas de famílias, decorrentes de participações, particularmente na Jerónimo Martins. Depois, a indústria perde representação (e dinheiro) relativamente a anos anteriores. Finalmente, há aqui, neste ranking, muita dívida escondida, muito activo que já está nas mãos da banca, como garantia de empréstimos que suportam posições accionistas.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 14:50
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