Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012

Os elogios do FT e o caso da RTP

O primeiro-ministro e o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, conquistaram, por mérito próprio e paciência - ou pieguice - dos portugueses o estatuto de bom aluno dos países intervencionados e dos que estão em vias de o ser, como é o caso espanhol. E, mesmo quando os sinais são de alerta vermelho, como é o caso da redução do défice orçamental de 2012 ou das dificuldades previsíveis para 2013, têm sido capazes de passar uma mensagem de união. Que tem convencido os mercados, como se percebe pela evolução dos juros da dívida pública portuguesa, e dos editoriais dos jornais internacionais de referência. Mas essa clareza e "voz única", como escreve o FT, é tudo o que tem faltado ao Governo na gestão do dossiê RTP. A privatização, venda de licença, concessão da RTP deixou de ser, em meia dúzia de dias, uma discussão racional. Desde logo pela forma como o Governo a colocou, por interposta pessoa, na opinião pública. Merece discussões apaixonados, e nada desinteressadas, manifestos que escondem, ou melhor, revelam, posições políticas, e até os sindicalistas João Proença e Arménio Carlos já surfaram a onda, em plenário que nos fez regressar a 75. Nada disto é normal, já se perdeu a noção, até do ridículo. Mas, disto, o Governo só se pode queixar de si próprio. Por causa da forma como revelou o modelo de concessão da RTP, o Governo conseguiu de uma assentada dividir a coligação governamental, unir a administração da RTP e os trabalhadores e até poupar Pinto Balsemão e os espanhóis da Prisa à necessidade de criticarem mudanças no sector da televisão, que tanto têm tentado travar. É obra, e pior seria difícil. O modelo de concessão, já se percebeu, está morto. A forma como Pedro Passos Coelho veio ontem pôr água na fervura deixa perceber que Miguel Relvas está ainda mais fragilizado do que estava antes de todo este processo começar. Se não bastasse o murro na mesa de Guilherme Costa, presidente da RTP, a intervenção, necessária, do primeiro-ministro confirmou o que já se pressentia. O modelo preferido do Governo - não o melhor, mas o que garantia a realização da operação de privatização da RTP - vai ficar em último lugar e, agora, o primeiro-ministro até admite que pode manter um canal público, presume-se a RTP1, e fechar o outro, presume-se a RTP2. Se falamos de clareza da mensagem, estamos conversados. O Governo deixou-se enredar por uma privatização que não tem a importância estratégica para o País, por exemplo, que tem a venda da TAP, uma operação sobre a qual, aliás, se tem falado de menos. E que se transformou num caso que pode minar a capacidade política do Governo. Chegado aqui, o Governo vai ter de apresentar rapidamente uma alternativa, que garanta dois princípios: por um lado, a manutenção do serviço público de televisão na RTP1 pública e, por outro, o aumento da concorrência aos dois canais privados, que vivem em duopólio. Sem eles, não conseguirá fazer nada da RTP e, aos olhos dos portugueses, falhará redondamente.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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