Terça-feira, 4 de Setembro de 2012

A crise do euro já não é a que era

A crise do euro já não é a que era, os mercados já quase se esqueceram dos gregos, e se alguma coisa se aproveitou destes últimos dois anos de (in)decisões e de cimeiras decisivas foi a confirmação de que a arquitectura institucional da moeda única tem de mudar e o poder de intervenção do Banco Central Europeu (BCE) também, de facto, mas também de direito. O mês de Setembro será, assim, determinante para se perceber o alcance e a ambição dos líderes europeus. Já na próxima quinta-feira, o conselho do BCE vai reunir, naquela que é a mais aguardada das reuniões da autoridade monetária do euro dos últimos anos. O senhor Mário Draghi tem dado os sinais correctos, e é difícil pedir-lhe mais. É difícil pedir que se substitua aos políticos. A verdade é que o governador do BCE assumiu o papel que deveria ter cabido aos líderes europeus que não foram capazes de explicar à senhora Merkel a necessidade de dar ao banco central o estatuto de ‘lender of last resort' não só do sistema financeiro como dos próprios Estados, mesmo que seja um ‘emprestador' de curto prazo. Nos dias que correm, ninguém parece interessado em discutir tratados e mandatos, o seu cumprimento e o seu alcance, e mesmo os alemães, que têm mostrado a sua aversão ao voluntarismo do BCE, não o fazem por bons motivos. Ficará, nas mãos de Draghi, se alguma coisa correr mal, a responsabilidade por ter violado tratados e mandatos. Atenção, a compra de obrigações por parte do BCE é uma condição necessária, mas não suficiente, para pôr fim a uma pressão sobre a dívida soberana dos países do euro. Se for a única resposta, terá efeitos perversos, e incentivadores de maus comportamentos. Faltará uma união bancária, uma verdadeira supervisão (ler Wolfgang Münchau na página 6 desta edição) e, sobretudo, o trabalho de casa dos próprios Estados que viveram em desequilíbrio permanente, até que o mercado e os investidores lhes disseram basta. O pior que nos poderia suceder, depois de anos de sacrifícios e de austeridade que vai ter de continuar, era esperar pela bondade do BCE para não fazer o que é preciso. Com mais ou menos tempo, Portugal tem de corrigir os seus desequilíbrios e libertar a economia do Estado, da sua influência e poder. QUEM É, AFINAL, O RESPONSÁVEL? A ‘troika' pôs ontem os pontos nos is: se há derrapagem na execução orçamental e na aplicação do memorando de entendimento, a responsabilidade é do Governo. Para bom entendedor, uma resposta basta. No passado sábado, Cavaco Silva ensaiou uma nova leitura da execução do programa de austeridade - articulado com Pedro Passos Coelho? - que atirava para a ‘troika' e para o que o novo Governo encontrou em 2011 as responsabilidades sobre a derrapagem do défice. Cerca de 48 horas depois, a equipa da ‘troika' disse aos parceiros sociais o que deveria ser uma evidência. A ‘troika' tem interesse no sucesso do empobrecimento organizado que resultará da aplicação do plano da de ajustamento, um mal necessário, mas não vai assumir nem sequer partilhar o insucesso da sua execução. Esse é de Passos Coelho e Vítor Gaspar.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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