Terça-feira, 18 de Setembro de 2012

Por qué no se callan até 15 de Outubro?

Os empresários e trabalhadores são melhores do que os políticos que temos. É esta a conclusão a que qualquer pessoa chega quando vê o bom senso da CIP e da UGT depois do espectáculo que nos estão a dar Pedro Passos Coelho e Paulo Portas.

Os líderes do PSD e do CDS não foram capazes de consensualizar uma proposta para garantir o apoio da 'troika' nem antes nem depois do anúncio de Pedro Passos Coelho. Podemos estar entretidos a discutir responsabilidades, a analisar se Pedro Passos Coelho e Paulo Portas estão a representar a parábola do sapo e do escorpião. Nada disto é relevante, essa avaliação será feita pela história. Os portugueses têm, infelizmente, muito mais com que se preocupar e as discussões públicas só são importantes na medida das suas consequências.

O presidente da CIP, António Saraiva, e João Proença, da UGT, foram dizer ao Presidente da República o que se tem ouvido na última semana. A proposta de agravamento da TSU dos trabalhadores para financiar a redução dos encargos sociais das empresas é uma má medida, não só do ponto de vista económico como revela uma incapacidade de perceber o sentimento do País. Saraiva não embarcou na posição fácil de capturar vantagens que, valha a verdade, seriam de curtíssimo prazo. Proença critica o Governo, mas mantém a posição de que o acordo de concertação social deve manter-se 'activo'. Valham-nos os nossos empresários e trabalhadores que, pelos vistos, valorizam mais o consenso político do que os próprios políticos.

A possibilidade de cairmos em eleições antecipadas seria o pior que nos poderia suceder. Neste momento, neste contexto, seria um suicídio colectivo, mas a ideia e o salto para um Governo de salvação nacional é uma tentação do Diabo. Entre o consenso político entre o Governo e o PS, mais necessário do que nunca, e um executivo tricolor, vai uma distância enorme. Seria necessário encontrar um Monti português - uma coisa difícil - e esgotaríamos desde já a hipotecar a nossa rede de salvação quando o pior ainda não passou. Seria passar um atestado de incompetência e de incapacidade ao Governo, mas também ao PS. E ao Presidente da República, se for incapaz de pôr ordem na casa.

Os empresários e os trabalhadores, esses, não o disseram publicamente, mas ficou o pedido implícito, em privado. 'Por qué no se callan?", recuperando o célebre episódio entre o rei Juan Carlos e Hugo Chavez numa conferência ibero-americana. Têm até ao próximo dia 15 de Outubro para se entenderem, para tentarem recuperar uma coesão e uma credibilidade perdidas. Perante a 'troika', mas também perante os portugueses.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:26
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