Sexta-feira, 28 de Setembro de 2012

A Caixa aberta

 A Caixa Geral e Depósitos assemelha-se ao pior da banca privada e não se diferencia no que esta faz de melhor. É por isso, sobretudo, que o Governo deve vender o banco público, em parte ou no todo.

Finalmente, o Governo pôs, ou deixou pôr, na agenda política a possibilidade de privatização da Caixa, uma espécie de tema-tabu, mas pelos piores motivos. Oficialmente, os sucessivos governos, e as sucessivas oposições, sempre rejeitaram a ideia de abrir o capital da Caixa a privados. Oficialmente, porque queriam um instrumento de política financeira público, para regular o mercado. Oficiosamente, porque a Caixa sempre foi um ‘empregador' dos partidos, um financiador de projectos dos amigos. Perpetuou capitalistas sem capital e contribuiu decisivamente para a formação de uma classe empresarial com pés de barro. A responsabilidade é, sobretudo, dos governos, e as administrações foram, provavelmente, e cada uma ao seu estilo, o travão a mais negócios políticos.

Os resultados da Caixa dos últimos anos mostram isso mesmo, o nível de provisões que tem sido necessário fazer não se explica apenas por razões económicas. Explica-se pelos negócios ruinosos, pelo crédito sem garantia, por más opções que resultaram de ser um banco público, mais, intervencionado. Aliás, nos últimos anos, o Estado - todos nós - foi obrigado a injectar na Caixa muito mais dinheiro do que aquele que de lá retirou, a título de dividendos.

Esta é outra boa razão para a privatização total ou parcial da Caixa. O crescimento e a capacidade de financiamento do banco público estão seriamente afectados e precisam de ser reforçados. Só possível com capitais privados.

Claro, neste contexto de necessidade financeira, a venda de activos é uma forma, a mais viável, para diminuir a dívida pública, os encargos que deixámos às gerações futuras. A outra seria ter já um excedente orçamental, mas sabemos como isso é impossível. Sobram mesmo as privatizações.

A venda da totalidade da Caixa seria a melhor opção, mas não nas actuais circunstâncias. Todas as empresas e bancos em Portugal sofreram desvalorizações violentas nos últimos três anos. Por isso mesmo, a opção pela venda de uma posição minoritária, dividida em duas, uma para o aforrador e outra para um investidor internacional, é a melhor solução. Continuaria a ser um banco público, com exigências privadas.

O Governo vai ter de vencer, ainda, a resistência do PS e de António José Seguro. Seria, por isso, positivo que o secretário-geral do PS explicasse porque é que não quer a abertura de capital da Caixa e que fizesse, ele próprio, uma avaliação do papel da Caixa na última década, para não ir mais longe. E o que defende para o futuro. Ficaríamos a saber, provavelmente, que vamos ter de continuar a financiar o banco público com os nossos impostos.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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