Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012

Quem anda à chuva, molha-se

O Governo está, definitivamente, em implosão, sem rumo ou estratégia, e não foram necessárias sequer 24 horas sob a apresentação de uma proposta de Orçamento do Estado para 2013 que não é, simplesmente exequível, para se perceber que o casamento de conveniência entre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas só poderá resultar em divórcio, mais cedo do que tarde.

Só nos falta uma crise política para somar à situação de emergência económica, social e financeira em que o País continua mergulhado. É o caminho mais directo para um segundo resgate, para uma austeridade mais violenta do que a que contestamos agora. Mas é isso que está em causa. O PSD e o CDS estão a discutir na praça pública uma proposta de Orçamento que, é claro, não é do Governo, é de Passos Coelho, Vítor Gaspar e António Borges. Já se ouviu toda a gente, quase. Falta Paulo Portas. Teme-se o pior.

Ontem, à hora do 'Jornal das 8' da TVI, José Alberto Carvalho apresentou uma peça de antologia. Ao som do 'Sei que sabes que sim', dos Ez Special, resume as contradições dos três últimos anos de Paulo Portas, que tornam a sua posição insustentável. Das acusações a José Sócrates e Teixeira dos Santos pelo bombardeamento fiscal dos orçamentos socialistas ao caso-TSU e ao aumento brutal de impostos para 2013, a coerência destruída em pouco mais de dois minutos. "Quem anda à chuva, molha-se", dizia Portas sobre a governação socialista. Nem mais.

Paulo Portas já percebeu uma coisa: não há espaço para a rábula do polícia bom e polícia mau. Os resultados das eleições dos Açores mostram, pelo contrário, que o CDS e Portas foram ainda mais penalizados, porque os portugueses não gostam dos que fogem às suas responsabilidades. O líder dos centristas foi aos Açores, ao contrário de Passos Coelho, e perdeu. Portas tem por isso, de uma vez por todas, de decidir se está ou não no Governo.

Este Governo já ultrapassou pela direita o pior de Santana Lopes, que caiu, diga-se, por muito menos. Se não existisse uma intervenção externa, se não estivéssemos dependentes de um credor que é a 'Troika', também já teria caído, tal a sucessão de declarações em 24 horas. Gaspar anuncia ao País que o Orçamento não é negociável, uma mensagem clara para o CDS, depois de deixar criar a ideia de que as medidas fiscais poderiam ser mitigadas. Dois deputados do CDS recusam a possibilidade de não haver processo de negociação do orçamento no Parlamento, o ministro das Finanças diz, ontem pela manhã, que, afinal, há margem negocial e pede sugestões ao CDS.  José Manuel Rodrigues, vice do CDS, afirma que o partido deve chumbar o orçamento no Parlamento e Moreira da Silva, vice do PSD, responde, dizendo que este orçamento é da coligação. Finalmente, Pires de Lima afirma que ninguém pode exigir ao CDS que melhore substancialmente a proposta orçamental para o próximo ano. O que é que falta neste quadro? Paulo Portas anunciar a saída do Governo.

Já sabemos que o CDS vai sair do Governo, só falta saber quando. E em que condições. Por razões patrióticas, que Portas tanto gosta de citar, o CDS só pode aprovar este mau orçamento. E sair depois. Para evitar a crise política imediata, a bancarrota logo a seguir, para permitir que o inevitável falhanço da execução deste orçamento leve o ministro das Finanças, este ou outro, a corrigir o tiro, a ouvir o FMI e o Presidente da República, em vez de os menorizar e desvalorizar.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 00:48
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