Terça-feira, 23 de Outubro de 2012

Espanha e Angola vão dividir a banca nacional

 O Millennium bcp já tem, finalmente, uma nova estrutura accionista, condição essencial para a gestão do banco, liderada por Nuno Amado, começar de novo. Sem grandes surpresas, porque a Sonangol reforçou a sua posição, mas replicando quase a papel químico o que se passa hoje no BPI, as suas vantagens e, sobretudo, os riscos a prazo.

Nas últimas semanas, as especulações sobre os accionistas do BCP depois do aumento de capital, necessário para reforçar os rácios de solvabilidade exigidos pelas autoridades, foram mais do que muitas. Depois de ter sido dado como certo o reforço da Sonangol, chegou a temer-se o pior. Por várias circunstâncias, nomeadamente as exigências no Estado (leia-se do Governo) no processo de recapitalização da instituição, a Sonangol deu sinais de que não subscreveria o aumento de capital. Afinal, não só acompanhou como reforçou a sua posição, que, somada à da sociedade luso-angolana Oceânico, permite a Angola controlar cerca de 17% do banco.

Este aumento da Sonangol era absolutamente crítico, desde logo para evitar a necessidade do BCP de recorrer ao Estado neste aumento de capital. Nuno Amado conseguiu, depois, convencer o Sabadell, um accionista histórico, a dar um sinal de que quer ter outra força no Millennium bcp, pois só esta intenção pode justificar o aumento da sua participação accionista, de 3,97% para 4,3%. O reforço da participação é mínimo, o significado político é máximo. Os espanhóis passam, assim, para segundo maior accionista do BCP, deixando perceber que querem ter uma palavra a dizer no futuro do banco.

Após este aumento de capital, o BCP replica, com nuances, a estrutura de capital do BPI, mas ao contrário. No banco de Fernando Ulrich, o maior accionista é espanhol, mas Isabel dos Santos já tem uma posição de referência, incontornável. No BCP, o maior accionista é angolano, mas, ao contrário do BPI, não é uma fonte de resultados. E os espanhóis têm a ambição, indisfarçável, de vir a promover uma fusão com o banco de Nuno Amado.

Claro, para já, estes movimentos, no BCP como, aliás, no BPI, vão ficar em ‘stand-by'. Para já, o único objectivo é mesmo devolver ao Estado os empréstimos que foram obrigados a subscrever para cumprirem os rácios de capital. E, nesta fase, nenhum dos quatro accionistas estará disposto a assumir esse risco sozinho. Mas já se pode antecipar o futuro. Porque a banca nacional está ao preço da chuva, porque não tem alternativas de financiamento a espanhóis e angolanos.

Espanha e Angola vão disputar, a prazo, o controlo de dois dos três maiores bancos privados portugueses. Será tão certo como o destino, se os dois bancos resistirem ao que aí vem, às exigências de pagarem empréstimos, condição para evitar a sua nacionalização parcial. Ultrapassado esse objectivo, que Nuno Amado e Fernando Ulrich têm como prioritário, será a vez de clarificar qual será a nova língua oficial do Millennium bcp e do BPI. Privado, português, sobrará o BES, se a família Espírito Santo conseguir resistir às crescentes exigências de capital.

Passo a passo, percebe-se, assim, a mudança das estruturas accionistas do sistema financeiro português, que se iniciou com a chegada da ‘troika' a Portugal, desejada por alguns, com António Borges à cabeça, e que só agora começou.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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