Segunda-feira, 19 de Novembro de 2012

Um faz de conta

 Já quase tudo foi dito, por todos, sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2013, as consequências que aí vêm, a capitulação do Governo no corte da despesa pública e a necessidade de aprovar um orçamento de emergência para cumprir o acordo com a 'troika'. Pior, mesmo, só a encenação a que assistimos desde o dia 15 de Outubro, promovida pelo CDS de Paulo Portas, que prometeu cortes na despesa e acabou a aceitar umas trocas e baldrocas do lado dos impostos. Para enganar os incautos.

Agora que já sabemos o que vai ser o Orçamento do Estado para 2013 - as próximas semanas são apenas uma formalidade burocrática de um regime que, na Constituição, garante que somos uma Democracia parlamentar até à aprovação final global - justifica-se uma análise do que aí vem. E o que aí vem não é diferente em (quase) nada do que estava previsto. Uma redução do défice público absolutamente necessária - porque, simplesmente, deixamos de ter quem nos financie o défice a juros suportáveis e é preciso contas sãs que permitam o crescimento - mas que o Governo quer assegurar em 80% por aumento de impostos, precisamente o que Pedro Passos Coelho garantia que não iria fazer. Uma economia privada esmagada por impostos e que vai ceder mais do que o Governo prevê e gostaria, com consequências, claro, na própria execução orçamental. Uma pescadinha de rabo na boca. O corte da despesa pública fica prometido e adiado para 2014, quando e se for possível uma refundação do Estado que é necessária sob pena de voltarmos a discutir, dentro de 12 meses, mais impostos para continuar a reduzir o défice público.

Paulo Portas jogou todo o seu peso político dentro do Governo nas últimas semanas. Por razões tácticas e estratégicas, mas perdeu em toda a linha. Perdeu de tal forma que o grupo parlamentar do CDS acabou por alinhar com o PSD a apresentação de propostas conjuntas, que só têm uma explicação: se se soubesse afinal quais foram as propostas que Portas dizia ter e dizia ter apresentado a Gaspar para cortar na despesa, a derrota seria por KO. Irrelevante.

O Governo cedeu na sobretaxa de 4% para 3,5% - tanta generosidade surpreende - e criou uma nova classe, a juntar às famílias ricas com mais de 80 mil euros de salário bruto, a das famílias milionárias com rendimentos superiores a 250 mil euros brutos por ano e que vão pagar uma sobretaxa de 5%. Além, claro, dos pobres por conta própria, enganados diariamente por uma esquerda parlamentar que não quer mudar, para manter tudo na mesma, o mesmo nível de crescimento de desemprego e um nível mínimo de apoio social, que serve apenas para garantir-lhes que escapam às estatísticas dos pobres abaixo do limiar de pobreza. Mas continuarão, claro, suficientemente revoltados, e com razão, para serem usados como instrumento de combate político e partidário. O CDS, perante isto, diz que foi o acordo possível. Não, não foi um acordo, foi uma decisão do ministro das Finanças. Manda quem pode, obedece quem deve.

O problema não é desta esquerda, que quer manter tudo na mesma (como se fosse possível...), o problema é mesmo desta Direita que está no Governo e que prometeu mudar, mas escolheu um caminho que nos pode levar a ficar ainda pior.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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