Sexta-feira, 30 de Novembro de 2012

A RTP tem de deixar de ser notícia

 A RTP está condenada a ser notícia pelos piores motivos? Parece uma fatalidade, mas a verdade é que no último ano, a empresa de serviço público da televisão e rádio enredou-se e foi enredada em casos, uns mais bem explicados do que outros, e que custaram um presidente do Conselho de Administração, um director de informação da Antena 1, um director de informação da RTP1 e um director da RTP2. São demissões a mais, ainda por cima no quadro de um processo de privatização e/ou concessão que já andou para trás e para a frente e que hoje ainda não se percebeu se vai mesmo avançar.

O caso do acesso de elementos da PSP a imagens 'em bruto' das manifestações do passado dia 14 à frente do Parlamento e a consequente demissão do director de informação da RTP1, Nuno Santos, não é o pior, é 'apenas' mais um, o último, e o primeiro da actual administração, presidida por Alberto da Ponte. A verdade, já se percebeu, vai ficar entre os protagonistas, que têm posições totalmente contraditórias. A principal, e mais grave consequência, já se tinha produzido. Ao fim de 20 meses, foi interrompido um trabalho consistente e difícil de uma direcção de informação que, por ser de um canal público, por ser da RTP, tem dificuldades acrescidas.

Este caso, contudo, por ser mais um de um conjunto de episódios que fragilizaram a empresa, deveria servir de lição para o que se segue. Não é possível gerir uma empresa neste contexto e apresentar bons resultados. Nem numa empresa privada, nem numa empresa pública. Quer Alberto da Ponte, quer o novo director de informação, Paulo Ferreira - excelente escolha, credível, e que foi tudo no Diário Económico - vão ter a vida mais difícil nos próximos meses. Por isso, o ministro da tutela, Miguel Relvas, deveria acelerar o processo de decisão sobre o futuro da empresa, e concluí-lo de uma vez por todas, seja lá qual for a decisão.

Relvas não será a fonte de todos os problemas, até porque a RTP tem sido, tradicionalmente, uma fonte de problemas, com todos os governos e todos os ministros. Tem, ainda assim, um histórico de relacionamento e tutela da RTP que não ajuda, prejudica. E é o primeiro, aliás, a ser prejudicado, também porque, reconheça-se, é dos ministros que não tem 'boa imprensa', como outros, faça o que fizer, bem ou mal. Por boas e más razões.

Reduzir o trabalho da RTP aos casos do último ano e meio seria uma injustiça, para a anterior administração liderada por Guilherme Costa, para os projectos e decisões de Alberto da Ponte, que se anunciam para breve, e até para Miguel Relvas, desde logo pela cobertura que deu, no primeiro ano em funções, ao anterior presidente e ao plano de sustentabilidade económica e financeira da RTP. Um plano necessário - com ou sem privatização - para tornar a RTP sustentável e menos dependente dos impostos dos portugueses.

Já aqui defendi, o Governo deve privatizar um canal e manter outro público, que garanta a prestação do serviço público, a um custo significativamente mais baixo. É o modelo mais simples, mais eficiente e mais eficaz. E a privatização só terá sucesso se algum privado entender que há espaço, e mercado, para investir nesse canal. Se não, o melhor é mesmo fechá-lo e esperar por melhores dias para um novo concurso. O mercado é assim.

Miguel Relvas corrigiu e admoestou publicamente o 'seu' presidente da administração, Alberto da Ponte, sobre o futuro da RTP. E disse que a RTP "tem de fazer notícias" e não tem se ser notícia. Relvas ajudaria a RTP a cumprir esse objectivo se deixasse de tutelar a empresa e a comunicação social pública logo após a decisão sobre o futuro da RTP. Ajudaria o Governo e ajudar-se-ia a si próprio.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:05
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