Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2012

Soares quer Portugal fora do euro

Mário Soares e mais 77 personalidades de esquerda decidiram promover um manifesto que pede a demissão do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. O problema, de Soares e de todos os outros subscritores, é que têm propostas que são contraditórias nos termos, leia-se, não querem mais aumentos de impostos e não querem cortes na despesa. Querem, então, o quê? A saída do euro é a única resposta possível. Pior era impossível.Portugal está a viver um processo de ajustamento, de empobrecimento, que precisava de viver, simplesmente porque não tinha, ainda não tem, contas públicas e externas sustentáveis, e isso é uma condição indispensável para os credores internacionais financiarem  o País. Estamos a viver pior, claro, porque vivíamos à custa do crédito. O problema é que  Governo percebeu tarde e a más horas que tinha de cortar na despesa e seguiu pela via mais fácil, menos dolorosa, sem escolhas. E repetiu-a depois dos maus resultados de 2012.

  O caminho definido por Pedro Passos Coelho e por Vítor Gaspar não está isento de críticas, longe disso, mas não é possível ter 'sol na eira e chuva no nabal'. Aliás, o orçamento para 2013, que serve basicamente para comprar tempo à Troika, tem outra virtude, mostra que batemos mesmo na parede e que não é possível viver assim num regime de moeda única. Quem é contra a austeridade através dos impostos, tem de dizer que austeridade quer, afinal. No limite, a saída do euro, a pior das austeridades. Porque alguma vamos ter, por opção própria ou por imposição alheia, desde logo dos credores. A realidade é sempre mais forte.

  Ora, este manifesto não quer uma coisa nem outra. Não, senhores, o discurso do crescimento económico é necessário, mas não chega, não paga as contas, não cria emprego. Soares deveria saber isso melhor do que ninguém, já esteve no lugar, e no papel, de Passos Coelho. Soares quer ficar na história por estar ao lado da rua, aliás, já ganhou eleições por causa disso, foi decisivo na entrada de Portugal na Comunidade Europeia, condição para estar no euro, mas quer agora limpar a sua consciência. Talvez por arrependimento.

  O manifesto é populista, demagógico, está cheio de banalidades e não acrescenta nada de novo. Os manifestos não valem apenas pelas subscritores que têm, tem de dizer alguma coisa. Soares pode, sempre, dizer o que quer mesmo, a saída do euro, porque este manifesto é isso mesmo, um apelo à saída da moeda única. Mas, também aqui, Soares não nos diz quais são as consequências. António José Seguro teve o bom-senso de evitar o apoio, sem criticar o 'Pai fundador', mas não pode refugiar-se, também tem de fazer escolhas. Mário Soares - e os outros 77 subscritores - deveria concentrar-se em promover e apoiar manifestos que abram a discussão sobre o futuro do Estado, de um Estado sustentável, e não do actual, que além de insustentável, não protege os mais desfavorecidos e assalta todos os outros. E tem até uma óptima oportunidade, única, dada de mão beijada por Pedro Passos Coelho: como se financia a educação em Portugal e, já agora, a educação e as prestações sociais, e como se mantém esta despesa com salários?

 

 

PCP adere ao mercado de capitais

 

O congresso dos comunistas não trouxe nada de particularmente novo no discurso, no desejo de construir uma alternativa de esquerda, da verdadeira esquerda onde só cabe o PCP, claro. Mas como o eleitorado do PCP não chega nem para um governo minoritário, os comunistas lançaram ofertas de aquisição (OPA) hostis sobre militantes de base do PS e do BE. Como é tradição no mercado português, estas OPA hostis vão falhar.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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