Terça-feira, 11 de Dezembro de 2012

As portagens da CMVM

A Brisa continua a circular em auto-estradas sinuosas e cheias de portagens, sem via verde. O grupo Mello e o fundo Arcus lançaram uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a Brisa em Fevereiro, os resultados foram conhecidos em Agosto, mas estamos a chegar ao final do ano e esta operação ainda está 'congelada' na CMVM, por causa de menos de 8% do capital.

Em primeiro lugar, todo este processo diz-nos muito sobre a confiança que os investidores têm, ou podem ter, no mercado de capitais português. Nunca precisamos tanto, na história recente do País, de investimento e financiamento internacional, nomeadamente por via da bolsa, mas os sinais que as autoridades dão são os piores. Uma oferta que tem quase um ano e que continua pendurada, embrulhada em problemas e dúvidas jurídicas, aparentemente em buracos na lei, é um péssimo cartão-de-visita.

Em segundo lugar, o presidente da CMVM terá, genuinamente, o interesse em proteger os pequenos accionistas da Brisa, e isso é necessário. Os pequenos investidores num mercado pouco profundo como o português estão nas mãos, e à mercê, dos grandes accionistas e fundos internacionais. Mas Carlos Tavares parece estar em vias de cometer um erro para corrigir outro erro. Pela segunda vez nesta OPA.

Tavares não deveria ter deixado prolongar este assunto tantos meses, ainda por cima porque estava pré-anunciado. Os Mello e o fundo Arcus avisaram que queriam tirar a empresa de bolsa quando lançaram a OPA, portanto, este era, ou deveria ser, um desfecho previsível. E uma resposta também.

Ainda não são claros os contornos da decisão da CMVM, menos ainda os seus fundamentos. Aparentemente, existe um 'buraco', mas a confusão está instalada. Em menos de 24 horas, Tavares desmentiu uma notícia do Económico e pediu aos Mello e a Arcus para a divulgarem o despacho que deu origem à notícia. E que diz que os Mello e a Arcus têm de pagar 2,76 cêntimos por acção aos accionistas da Brisa que não quiseram vender. Confuso!?

Percebe-se a intenção, mas, como sucedeu na questão da revisão do preço da OPA em dez cêntimos, uma decisão salomónica, Carlos Tavares parece querer agora repetir o exemplo. Mas, se o objectivo era pôr uma portagem mínima, é difícil perceber o tempo a que esta operação está parada. No fim, todos perdem.

 

As lições de Monti

Mario Monti fez dupla, durante meses, com Mario Draghi e parecia que estes dois italianos seriam a alternativa a Angela Merkel e a salvação do euro. Não são. A verdade é que o italiano que chefia o governo cedeu, anunciou a demissão, e deixou perceber que a salvação do euro está longe de estar assegurada. Os mercados tremeram, mais pela incerteza do que aí vem do que pelo desempenho deste País fundador do projecto europeu.

Monti é um tecnocrata, reconhecido em Roma, em Bruxelas e em Berlim, o homem ideal para substituir Sílvio Berlusconi. Serviu, porque a alternativa era pior. Mas, lá, como cá, a austeridade está a atingir níveis insuportáveis, com consequências na economia.

A instabilidade política que se avizinha, e que já salpicou Espanha, evidencia os riscos que correm os países que estão sob pressão, ou sob intervenção, como Portugal. É por isso que a possibilidade de eleições antecipadas em Portugal seria um desastre, que destruiria o que se ganhou no último ano e meio. Porque, bem ou mal, os credores internacionais acreditam mais no Governo português do que os portugueses. E o programa de ajustamento existe, precisamente, para isso, para convencer os credores internacionais a voltarem a financiar o País.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 09:00
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