Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2012

Privatização da TAP é uma fatalidade, agora ou a prazo

 A TAP integra o restrito número de empresas que se confundem com o País, com a nossa história recente, e é, por isso, juntamente com a CGD e a RTP, uma companhia que será sempre notícia, qualquer que seja a razão. É por isso que a privatização da TAP não é apenas a venda dos anéis, é mesmo a venda dos familiares mais próximos. E é por isso que a discussão em torno desta privatização é tudo menos racional.

Qualquer português médio olha para a TAP e vê aviões, vê até um aeroporto - que não pertence à TAP - vê negócios, vê turismo, vê ligações aos emigrantes, vê cultura. E não compreende como é que isto tudo pode dar tão pouco. Porque a TAP tem activos, sim, mas tem ainda mais passivo, está em falência técnica, na ordem dos 500 milhões de euros no final do primeiro semestre deste ano. E o Estado accionista não pode por razões legais e financeiras reequilibrar a empresa. Diz quem conhece, mesmo, as contas, que a operação da TAP já seria um sucesso se fosse oferecida por um euro e se, ao mesmo tempo, o Estado se livrasse, em definitivo, dos riscos que a empresa tem, e terá ainda mais no futuro. Não vou tão longe, mas é necessário regressar ao passado para pôr as coisas em perspectiva.

Queremos uma TAP portuguesa ou uma TAP que contribua para o desenvolvimento económico de Portugal? Parece a mesma coisa, mas não é. Prefiro a segunda alternativa. Sem nacionalismos, sem centros de decisão, com centros de competência, e de operação.

A TAP tem um valor estratégico para o País e, também, para potenciais compradores. Mas é preciso perceber que quando foi preciso apresentar uma proposta concreta, e vinculativa, apareceu um candidato. Um! Quererá dizer alguma coisa, por certo.

É claro que a TAP vale o que vale, o que nos mostram as contas, e também o que vale para o único comprador que se apresentou a concurso. E, para Efromovich, vale muito, como se percebe da entrevista que concedeu ontem à agência Lusa e que mostra, no mínimo, dúvida sobre o sucesso da operação, no máximo, nervosismo e desconfiança. E isto tem um preço, não necessariamente em dinheiro, que o Governo deve exigir neste processo negocial.

Mais relevante, claro, é garantir que a TAP permaneça a operar em Portugal, e que o Estado garanta um direito de preferência sobre o futuro da companhia, o melhor seguro que os portugueses podem ter para garantir que a companhia continua a ser 'de bandeira', apesar da nacionalidade colombiana/brasileira/polaca de Efromovich.

O Governo não está condenado a vender a TAP nesta privatização, mas a privatização é uma fatalidade, agora ou a prazo. A alternativa será a manutenção de uma empresa que tem de investir centenas de milhões no universo do Estado, leia-se sem capital para investir, condenada à irrelevância e quem sabe até ao desaparecimento.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:05
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