Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2012

Querem mais? Vão ao Totta!

 

A 24 horas da decisão sobre a privatização da TAP, já é claro que o Governo não vai tomar uma decisão apenas por razões económico-financeiras, mas também por pura táctica política. Os números já não interessam, e até o Governo já faz contas, não às contas, mas aos argumentos políticos para ‘vender' aos portugueses a venda da companhia de bandeira. Poderia ser pior?

A irracionalidade, portanto, tomou conta da discussão sobre a privatização da TAP e, aparentemente, até o Governo já está dominado pelo vírus da ‘politiquice', para responder ao PS e a António José Seguro. Para demagogo, demagogo e meio. Então, parece que o Governo ameaça encerrar a TAP e abrir outra ao lado (será ao lado direito ou esquerdo?) com capitais que permitam a sua viabilidade futura, coisa que não está assegurada, longe disso, à actual TAP. Será mesmo assim!? Se assim for, é um óptimo exemplo para os empresários, ou melhor, os que se dizem empresários, que querem fugir ao fisco ou às suas responsabilidades laborais e bancárias. Mas o Estado, que somos todos nós, não pode fugir, por isso, não se entende bem o alcance de tal plano C. Se é que existe mesmo.

Fica o plano A, a privatização da TAP a Germán Efromovich. Hoje, quem defende a privatização não é patriota, talvez mesmo nem sequer seja português. É o País do bem e do mal, dividido ao meio, entre os que têm toda a razão, e defendem o País, e os que são testa-de-ferro de um colombiano/brasileiro/polaco.

A pergunta é outra? Defendem o País de quê? Estarão a defender o País e os portugueses da possibilidade de se livrarem de um problema gigantesco, para o qual só apareceu um candidato disponível a pagá-lo? É uma defesa que todos, até os que são contra a venda da TAP porque querem ver a bandeira portuguesa desenhada nos aviões com nomes como Pedro Álvares Cabral ou Gago Coutinho, dispensaríamos.

Para que conste, como o Económico revela na edição de hoje, a TAP está em ruptura de tesouraria e vai ter uma injecção de 100 milhões de euros, porque não há banco privado que assuma esse risco. E a tese de que a TAP não recebe dinheiro público é, como se vê, falsa. Pior, a ruptura de tesouraria é uma regra no final de cada ano.

Fazem-se contas a EBITDA, a múltiplos, sem ter em conta as necessidades por força dos encargos financeiras e o investimento em reestruturação. E, mais ainda, o mercado. Fazem lembrar Luís Filipe Vieira que anunciava ao mundo que Mantorras valia 18 milhões de contos. Infelizmente, nunca nenhum clube, nem mesmo os controlados por príncipes ou milionários russos, ofereceu um décimo disso. 

Quaisquer 35 milhões de euros de receita do Estado, mais 316 milhões de euros para reequilibrar capitais próprios, mais 1,5 mil milhões de euros de assumpção de dívida, mais quatro mil milhões de euros de investimento em novos aviões, são irrelevantes. Surpreendentemente irrelevantes, para quem se queixa de pagar tantos impostos. Para quem está sob intervenção da ‘troika'. Estão, afinal, dispostos a pagar mais.
A privatização da TAP é necessária, amanhã em Conselho de Ministros, ou, venha o plano B, num Conselho de Ministros mais próximo de si.

Hoje ou amanhã, têm, claro, de ser salvaguardadas garantias de manutenção da marca, das rotas, do ‘hub' de Lisboa, até do direito de preferência do Estado português em caso de incumprimento. Porque é mais importante uma TAPque contribua para o desenvolvimento de Portugal do que uma TAP portuguesa de capitais públicos.

Querem mais? Vão ao Totta!

publicado por concorrenciaperfeita às 08:22
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