Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2012

A privatização morreu, viva a privatização

 A privatização da TAP morreu, viva a privatização da TAP. A companhia aérea vai continuar a ser de bandeira, pelo menos no curto prazo, mas o dia de ontem foi o de um novo recomeço de uma empresa que, depois deste processo falhado, ganhou um novo futuro. Quando o site do Económico revelou em exclusivo, exactamente às 13.55 horas, a decisão do Conselho de Ministros de não vender a TAP a Gérman Efromovich por causa da ausência de garantias bancárias de 25 milhões de euros, o Governo credibilizou o processo de privatizações e 'ganhou' o País que queria manter a companhia na esfera do Estado. Por boas razões no primeiro caso, nem tanto no segundo. A privatização da TAP foi afectada por um ambiente de suspeição quase intolerável nas últimas semanas, patrocinado, particularmente pelo PS e pelos outros partidos da Oposição, sobretudo por razões ideológicas. Ficou criado um clima de desconfiança que, suportado por uma ideia romântica do que é a 'TAP portuguesa' por contraponto a uma TAP que contribua ainda mais para o desenvolvimento económico de Portugal. A decisão mais difícil, percebeu-se, seria a de privatizar a companhia, que fica mais uma vez adiada, ou seja, a pesar num Estado que já se arrasta. Efromovich fez o resto. O empresário colombiano/brasileiro/polaco subestimou a dimensão política do negócio e, até, a importância da sua própria credibilidade. E perdeu. Ao não entregar as garantias bancárias necessárias para blindar a transparência do negócio, deu o pretexto certo para o Governo mostrar que também diz 'não'. E foi a cobaia perfeita para o que tem de se seguir na TAP, já a seguir. A TAP não vai morrer amanhã, mas tem de mudar de vida. E isso também ficou claro do processo destas últimas semanas. A equipa de Fernando Pinto está há mais de dez anos à frente da companhia, melhorou, e muito, a eficiência da empresa, mas fez um negócio, no Brasil, que o vai perseguir, e à própria TAP. E o Governo conseguiu, com este processo, o que não conseguiria de outra forma, conhecer ao detalhe o que é a companhia, as suas potencialidades económicas, que são muitas, e as suas fragilidades financeiras, que são algumas. Agora, nos próximos meses, o Governo vai ter de decidir, desde logo, se quer manter a actual equipa de gestão que, recorde-se, está em gestão corrente e ficou para preparar e conduzir a privatização da companhia. Depois, vai ter de reestabelecer o equilíbrio de tesouraria da TAP, que oscila entre o Verão e o Inverno e que este ano, por causa da privatização, teve de ser garantido pelo próprio Estado. E vai, finalmente, ter de decidir um novo modelo de privatização, mais cedo do que tarde. Provavelmente sem a operação de manutenção no Brasil, que é um sorvedouro de dinheiro e que vai ter de ser 'vendida' ou fechada. Os elogios à decisão do Governo vão desaparecer rapidamente. Porque Pedro Passos Coelho tem uma janela de oportunidade curta para vender a empresa. O programa de assistência financeira termina em Junho de 2014, mas a fiabilidade da due diligence realizada para esta operação vai diminuir à medida que o tempo passa. As condições de mercado, essas, não são as melhores, o sector da aviação já voou mais alto, mas isto são variáveis que o Governo vai ter de gerir, sob pena de ter de privatizar a TAP por condições inferiores àquelas que conseguiria com Efromovich.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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