Terça-feira, 8 de Janeiro de 2013

O investimento é que paga

 

Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira estão numa guerra aberta, e desta vez pública, por causa do choque fiscal defendido pelo ministro da Economia, que o ministro das Finanças conseguiu 'transformar' na criação de uma comissão de revisão do IRC que vai propor mudanças para 2014. O investimento é que paga.

A razão, essa, está do lado de Álvaro Santos Pereira. À austeridade, necessária, e às reformas estruturais, é preciso somar medidas de choque, de impacto e efeito imediatos na economia, que permitam mudar as regras de um jogo que já tem o resultado feito à partida. O ano de 2013 será no mínimo tão difícil como o de 2012, apesar das profissões de fé de Vítor Gaspar e de Pedro Passos Coelho. E, para levar à prática o que todos, incluindo o Presidente da República e o líder do PS defendem, é urgente inverter a queda do investimento que nos últimos três anos, em termos acumulados, caiu mais de 30%. Não há políticas activas de emprego que compensem a recessão, há incentivos de política que podem conduzir ao investimento privado.

A redução imediata do IRC para novos investimentos para 10% seria uma dessas medidas de choque, independentemente do trabalho da comissão liderada por Lobo Xavier, que acabou por se 'meter' no meio desta guerra. Gaspar não quer ou não gosta - não se percebe, tendo em conta a 'aprovação' informal de Bruxelas e o facto de não pôr em causa a receita actual do IRC-, Álvaro diz que é uma medida indispensável. Há, aqui, outro problema, ou melhor, um risco desnecessário, que só Passos Coelho pode resolver.

Neste impasse político - que ainda vai fazer correr muita tinta - o Governo está a gerar uma incerteza desnecessária, além das que já existem e que são suficientes. As empresas portuguesas e estrangeiras, as poucas, que estejam a ponderar investir em 2013 não o farão enquanto esta questão não for resolvida, para um lado ou para o outro, o de Vítor Gaspar.

 

O último serviço de Nogueira Leite

 

António Nogueira Leite pediu a demissão do cargo de vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e fez o que poucos fariam. Passou das palavras - às vezes públicas, excessivas e até pouco reflectidas - aos actos. "Put your money where your mouth is", dizem os ingleses. Nogueira Leite, de influência anglo-saxônica, fê-lo. Saiu em ruptura, em divergência com um accionista, o Governo, que, como o próprio confessou publicamente no dia de saída, 'se metia' na gestão do banco público.

Esta saída, ainda assim, não deve nem pode ser reduzida a uma demissão de um administrador impulsivo e que não precisa da Caixa para viver, porque tem uma vida para lá do universo dos cargos de nomeação política. Aliás, Nogueira Leite prestou um último grande serviço a Vítor Gaspar, se o ministro o quiser aproveitar.

O novo modelo de governação da CGD, com um chairman e um presidente-executivo, teve com toda a certeza a melhor das intenções. Mas falhou. A Caixa funciona apesar deste modelo. Funciona, mas poderia e deveria funcionar muito melhor.

Este modelo faz sentido em empresas com muitos, e diferentes, accionistas, mas não tem lugar numa empresa pública com accionista único. O ministro das Finanças deveria aproveitar a saída de Nogueira Leite para repensar um modelo de governação que já está esgotado, que não esteve à altura dos objectivos que serviram de base à sua criação. E, em vez de substituir o antigo vice-presidente, deveria fazer regressar a Caixa ao tradicional modelo monista com uma administração executiva, focado nas áreas 'core' do banco, no apoio às empresas e na internacionalização. Seria, até, uma oportunidade para evitar a criação do banco de fomento.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:06
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds