Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2013

O grito do Ipiranga de Pedro Passos Coelho

Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar estão a finalizar os preparativos para garantir o regresso de Portugal aos mercados antes da sétima avaliação da Troika. As operações das últimas semanas da Irlanda, do BES e da Caixa e o sucesso da emissão de Bilhetes de Tesouro realizada ontem antecipam uma operação que pode ser para o Governo um ponto de viragem política. Um grito do Ipiranga de Pedro Passos Coelho em relação à Troika. Só faltará mesmo 'virar' a economia. Não é de hoje que existe uma diferença de ciclos entre a realidade dos mercados, sobretudo externos, e da economia doméstica. Os mercados são barómetros que antecipam tendências e nas últimas semanas têm dado sinais muito positivos. É certo, também porque o governador do Banco Central Europeu se chama Mario Draghi e não Jean-Claude Trichet e alargou os próprios limites dos tratados europeus. Portugal vive duas realidades, a dos investidores (leia-se credores) internacionais que já estão disponíveis para investir em Portugal para além do próprio programa de assistência da Troika, que terminará, pelo menos no calendário, em Junho de 2014, e a das empresas e dos portugueses que estão a pagar uma política de austeridade e de ajustamento necessária mas que em 2013 vai ultrapassar o limiar do suportável. A primeira já dá os argumentos políticos que o Governo precisa para continuar a executar o acordo com a Troika, as OT a cinco anos no mercado secundário estão ligeiramente acima dos 5%, uma 'yield' inferior ao da última emissão de Portugal com esta maturidade. A segunda atira o País para baixo. Vítor Gaspar dizia, há meses, que não tínhamos ainda chegado a meio da ponte. O regresso aos mercados é, neste sentido, um passo para o outro lado, uma notícia tão relevante como foi a do pedido de ajuda externa em Abril de 2011. Mas, por isso, tão difícil de decidir. Voltaremos a ser notícia na imprensa internacional, por bons motivos. Uma vitória de Gaspar e de Passos. Portugal está prestes a financiar-se a médio/longo prazo sem a ajuda da Troika, mas com o aval, ainda assim, do BCE, que põe, ele próprio, como condição para essa garantia no período pós-Troika o regresso verdadeiro aos mercados. No entanto, este regresso - no fundo, o objectivo último do programa de assistência - só será sustentável se a economia acompanhar este ciclo. Será possível enganar alguns investidores durante algum tempo, todos os investidores durante algum tempo, mas será impossível enganar todos os investidores durante todo o tempo. Portugal, aliás, é hoje a prova disso mesmo. Pedro Passos Coelho poderá agradecer a Vítor Gaspar, mas isso não chegará para pôr a economia a mexer. O Banco de Portugal foi 'suave' na avaliação do estado da economia e na responsabilização política do Governo por uma recessão em 2013 que, em Janeiro, já se antecipa de 1,9%. As razões serão, diz Carlos Costa, sobretudo de ordem externa, por causa da recessão na zona euro, que afectará as nossas exportações. Não chega para desculpar Passos e Gaspar, que têm de ter, e decidir, alternativas. Desejavelmente, também antes da sétima avaliação da Troika.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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