Terça-feira, 22 de Janeiro de 2013

Passos tem de ajudar Seguro a impor-se no PS

António José Seguro está a preparar-se para eleições antecipadas ainda em 2013, beneficia de um estado económico do País que ainda está ligado à corrente (leia-se a ‘troika'), aposta tudo na ruptura social e na consequente ruptura da coligação governamental, mas tem ainda de impor-se ao partido e mostrar que não tem receio da proto-candidatura de António Costa. Sem impor-se no partido, não pode ganhar o País. Há sinais que valem mais do que mil palavras. A decisão do PS/Açores de convidar o presidente da Câmara de Lisboa para a abertura do seu congresso, remetendo António José Seguro para as conclusões do trabalho - um convite que se percebe protocolar - diz tudo sobre o momento que se vive no maior partido da oposição, também porque já cheira a poder. Seguro dá, ainda por cima, os sinais errados. A possibilidade de se realizar o congresso electivo do partido apenas depois das autárquicas - como ficou implícito na entrevista do secretário-geral do PS à TSF e DN - revela que Seguro conta com uma vitória estrondosa naquelas eleições para travar as tentações de Costa. Quando deveria fazer precisamente o contrário, marcar já o congresso e impor a sua liderança. A vida de António José Seguro já não é fácil por causa da situação do País que foi conduzido ao pedido de ajuda externa por parte de um governo socialista do qual não se orgulha, para não dizer outra coisa. A esta dificuldade tem a juntar uma guerra interna que tem aumentado de intensidade à medida que crescem as possibilidades de eleições antecipadas, com consequências: Seguro tem radicalizado o discurso, tem aproveitado a inabilidade do Governo para promover consensos e aproximar-se do Bloco de Esquerda e do PCP. O novo PS - o que se prepara para eleições - é um factor de risco num País que, passo a passo, vai ganhando credibilidade externa. Há três meses, ninguém arriscaria afirmar que Portugal poderia regressar aos mercados em Setembro de 2013, quanto mais no início deste ano. Mas é este o cenário em que o Governo está a trabalhar, seguramente positivo para as motivações político-partidárias do PSD, mas ainda mais importante para o País e para os portugueses. Pedro Passos Coelho tem, por isso, uma nova responsabilidade, que só ele pode garantir: tem de ajudar António José Seguro a ser um líder da Oposição responsável. E, verdade seja dita, Seguro tem razão. Passos tem feito tudo o que não deve para afastar o PS do consenso político - e João Proença, já agora, também. Se o primeiro-ministro não mudar de atitude, se não ajudar Seguro a dominar o partido, a impor-se no PS, se o forçar a uma oposição radical, não poderá depois queixar-se. Será, também, co-responsável pela crise política que se adivinha e que Francisco Assis, na edição de ontem, vaticinava ser inevitável. Não é, não tem de ser.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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