Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2013

Portugal chega a meio da ponte

Vítor Gaspar deslocou-se a Frankfurt em Março do ano passado para apresentar os primeiros resultados do programa de ajustamento e, nessa ocasião, acompanhada em exclusivo pelo Económico, o ministro das Finanças dizia que Portugal ainda não tinha chegado a meio da ponte. O regresso aos mercados é isso mesmo, é a segunda fase do programa de austeridade, e muda a percepção internacional do País e a dinâmica política interna a semanas da sétima avaliação da Troika. Quando, no passado dia 17, o Económico revelou em manchete que o Governo estava a preparar a operação de regresso aos mercados para os dias seguintes, a notícia mereceu mais atenção internacional do que internamente. E só as primeiras palavras de Passos Coelho, em Paris, tornaram o tema incontornável, a custo para quem não conseguiu antecipar o que era tão relevante como foi o pedido de ajuda externo em Abril do ano passado, noticiado então pelo Negócios. A confirmação oficiosa desta operação, também pelo Económico, que beneficia de uma conjuntura externa única neste contexto do euro, muda as regras do jogo. A austeridade não vai acabar amanhã depois da colocação de dois mil milhões de euros de dívida a cinco anos, ainda faltará mais 'meia ponte' para percorrer, em subida acentuada por causa do Orçamento do Estado para este ano. Mas vai ser diferente. Os portugueses - os que estão no desemprego, os que sofreram e vão sofrer cortes significativos nos seus rendimentos do trabalho e de pensões - não comem 'yields' e juros? 'Comem', a prazo, porque não será possível garantir qualquer recuperação da economia sem o regresso sustentado e sustentável aos mercados. A operação que o Governo vai fazer hoje não é seguramente uma condição suficiente para garantir o investimento e logo o crescimento económico e o emprego, mas é absolutamente necessária. A medida da importância do regresso de Portugal aos mercados de longo prazo deveria ser, por isso, uma prioridade para todos, para o Governo, mas também para o PS e António José Seguro, que foi apanhado em contra-pé e decidiu fazer um floreado de palavras entre os mercados e os portugueses em vez de exigir que o Governo explique o que vai fazer a seguir. Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar jogaram tudo na credibilidade externa do País, mas descuraram a dimensão interna e a coesão económica e social, tão sublinhadas pelo ministro das Finanças nesse road-show, já longínquo, a Frankfurt. E agora que já passaram o meio da ponte, agora que já podem dizer que os credores internacionais voltaram a acreditar no País, não podem desperdiçar esta nova oportunidade. O Governo tem de garantir que o regresso aos mercados, a segunda fase do programa de ajustamento, será 'usado' para inverter a situação económica, e isso está ainda longe de ser um dado adquirido, como se percebe pelas projecções mais recentes do Banco de Portugal para 2013. E tem de conseguir explicar o que se segue, mesmo antes da discussão sobre o corte de quatro mil milhões de euros de despesa. Senão, será apenas mais uma oportunidade perdida.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:25
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