Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013

Não haverá economia sem o regresso aos mercados

 

O Governo comunica mal o que faz mal, coisa natural e extensível a executivos destas e de outras cores, mas tem tido o condão de comunicar mal o que faz bem, coisa menos natural e que põe, também, em causa a eficácia das suas políticas, nomeadamente a económica e financeira. Os próximos 37 dias, até 25 de Fevereiro, data da sétima avaliação da Troika, serão decisivos para avaliar se o Governo aproveita a janela de oportunidade que os mercados lhe estão a dar.

Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar querem regressar aos mercados 'as soon as possible' - em inglês, para ser lido pelos investidores internacionais - e percebe-se porquê: é a primeira vez, pelo menos desde o dia 7 de Setembro de 2012, que o Governo tem a possibilidade de mostrar que está no caminho certo. Já não chegam palavras, são necessários factos, especialmente antes de lançar a discussão, que vai ser dolorosa, sobre a reforma do Estado e o corte de quatro mil milhões de euros de despesa pública. O regresso aos mercados, com sucesso, é isso mesmo, a segunda oportunidade de Passos e Gaspar para causar uma primeira boa impressão, o segundo fôlego de um Governo que tem pouco mais de ano e meio e apresenta o desgaste político e social de fim de legislatura.

Até António José Seguro já percebeu isso e deu o salto em frente: o regresso aos mercados mais cedo do que se esperava é um desígnio do País, que o PS apoia. Contraditório, claro, com a posição de radicalismo político que, progressivamente, tem adoptado, para garantir a recandidatura de António Costa a Lisboa. O que Seguro quer, mesmo, dizer é que um sucesso na emissão de Obrigações do Tesouro até à sétima avaliação da Troika será um mal menor na estratégia de oposição e que essa vai centrar-se na economia, na recessão, no desemprego. Para as realizar mais cedo do que tarde.

O regresso aos mercados, mesmo com 'aval' do BCE que os investidores já incorporaram no processo de decisão, não é apenas importante para o Governo. É ainda mais importante para o País, e quanto mais cedo, melhor. Como o Económico revela na edição de hoje, as primeiras reacções das agências de rating que contribuíram para a degradação vertiginosa das condições de financiamento de Portugal em 2011 revelam que poderão voltar a ser, rapidamente, os nossos melhores amigos. Uma correcção do rating da República não servirá apenas para tornar o financiamento do Estado mais barato, logo, a exigir menos impostos, será crítico para voltar a pôr Portugal no radar dos grandes fundos que investem no mercado de acções e nas empresas cotadas que fugiram de Lisboa porque não querem arriscar o seu dinheiro num País com a classificação de 'lixo'.

Os portugueses vão ainda viver um ano de 2013 penoso, o risco de espiral recessiva está presente e o Orçamento do Estado para 2013 e o aumento de impostos que traz - bem evidente nas novas tabelas de retenção - são factores de risco elevado que não podem nem devem ser subestimados por Vítor Gaspar.

Uma coisa é certa, não haverá qualquer possibilidade de recuperação da economia sem uma recuperação, prévia, da situação financeira do País, do financiamento do Estado e dos bancos portugueses. É este o valor do regresso aos mercados.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:33
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