Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2013

Os bancos não são todos iguais

 

Os cinco maiores grupos bancários nacionais apresentaram em 2012 prejuízos acumulados da ordem dos mil milhões de euros, uma performance melhor do que a do ano anterior, num processo de limpeza de balanços que é tão necessária como urgente, mas esta evolução esconde uma realidade bem mais difícil.

Nem todos os bancos apresentaram prejuízos, mas todos aproveitaram o ambiente financeiro favorável para realizarem mais-valias significativas, seja com dívida própria, seja com a dívida pública da República Portuguesa, que teve uma rentabilidade média de 57% no ano passado. O problema é a realidade, a realidade económica interna presente e os negócios passados, muitos sem garantias, que a crise veio expor, e tornar insustentável.

O Millennium bcp e a Caixa Geral de Depósitos, os dois bancos que apresentaram prejuízos, são, neste contexto, os bancos mais expostos e, por isso, continuam a evidenciar a dificuldade em corrigir a história. Os dois estão mais sólidos hoje do que há um ano, evoluíram favoravelmente na sua actividade operacional tendo em conta o contexto, mas vão ter em 2013 um ano decisivo.

Nuno Amado concluiu o primeiro exercício de gestão como presidente do BCP e, percebe-se, decidiu ir tão longe quanto o possível nas contas do ano passado. Amado sabe que não terá uma segunda oportunidade para responsabilizar a gestão que o antecedeu dos resultados do BCP. No fundo, Amado considera que 2013 será, verdadeiramente, o 'seu' primeiro ano de mandato, aquele pelo qual ele e a sua equipa serão responsabilizados, desde logo pelo accionista que o 'nomeou', a Sonangol.

José de Matos, ao contrário, entra em 2013 no último ano de mandato e lidera um banco 100% público. Por isso, a Caixa Geral de Depósitos não pode enterrar os esqueletos que tem no armário de um ano para o outro. Por razões políticas, mas também pelas exigências que se colocariam ao accionista, o Estado, e logo aos contribuintes.

O ano de 2013 vai continuar a ser difícil para a banca, e para as empresas que dependem do financiamento bancário. E a depender, e muito, da conjuntura económica interna. E, mais ainda, do que vai ser negociado com a Direcção-Geral da Concorrência europeia, que chega esta semana a Lisboa, por causa das ajudas públicas. Como o Económico revelou em primeira mão, Bruxelas prepara-se para obrigar o BCP a vender a operação o na Polónia, a principal operação do banco no exterior. E outros remédios serão impostos à Caixa, e também ao BPI e ao Banif.

 PS1: António José Seguro comprou as pazes com o passado, com Sócrates, para poder comprar a ambição de ter futuro. Vendeu a alma ao diabo, como se percebe do que não fez durante o Governo de Sócrates e do que fez desde que é secretário-geral do PS. A crise do PS serviu apenas para isto. De resto, o que vai mudar no futuro é sobretudo o estilo, será um discurso com menos pesos na consciência. Mas a substância será a mesma. O acordo de estratégia entre António José Seguro e António Costa não vai mudar nada de substantivo, porque o futuro está marcado, com este Governo ou com outro, com comissões parlamentares de reforma do Estado ou sem comissões. A ajuda da Troika, a ajuda financeira, termina em Junho de 2014 e, nessa altura, ou vivemos à nossa conta, ou vamos ter de pedir um segundo resgate externo. E, em simultâneo, é necessário que corra tudo (muito) bem na Europa.

PS2: As televisões estão em guerra por causa do novo sistema de audiências da GFK e de um novo painel de audimetria. Mas o conflito está longe de ser apenas entre os três canais generalistas, é uma luta de poder que envolve Pinto Balsemão, Alberto da Ponte e Rosa Cullel, mas também Zeinal Bava, Rodrigo Costa, Pedro Soares dos Santos e Paulo Azevedo. E, claro, até as principais agências de comunicação. São centenas de milhões de investimento publicitário que estão em jogo e que dependem das audiências, e estas dependem da qualidade da programação, mas também, e muito, do painel que serve para as medir. A SIC, com a ajuda essencial da PT, está a ganhar, fez as movimentações certas no momento certo, a TVI arrisca-se a perder o domínio do bolo publicitário e a RTP caminha, a passos largos, para a irrelevância e, aí, não haverá plano de reestruturação que chegue.

 

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:22
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