Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2013

A austeridade está a dar resultados. E o resto?

 

O desemprego em Portugal no último trimestre de 2012 atingiu os 16,9% da população activa, mais de 923 mil desempregados, e já superou a previsão do Governo para 2013. É uma surpresa? Apenas a rapidez, e profundidade, de uma reestruturação da economia, assente nos serviços e nos bens não transaccionáveis financiados a crédito, que todos pediam, sem ater às suas consequências.

Mais de 50% dos desempregados são do sector dos serviços, exacto, aquele sector que vivia do consumo interno, da procura interna, e que tinha necessariamente de sofrer um ajustamento, uma desvalorização. Aí está ele, o dos bens não transaccionáveis, que tem de ser substituído pelo outro, o que suporta as exportações ou substitui as importações. E não está aqui a construção.

Os números são brutais, e assustam. Cada desempregado é um drama, pessoal, familiar, sem resposta fácil, e menos ainda imediata. E nem a melhor retórica política - que Passos Coelho falha na primeira reacção pública aos números do INE - conseguiria ultrapassar o facto de não haver uma boa forma de dar más notícias. Se a taxa global no último trimestre de 2012 surpreende pela dimensão, a análise fina da estrutura do desemprego (ver destaque nesta edição) permite perceber que as políticas estão a dar resultados, provavelmente mais rapidamente do que o Governo esperava. O problema é o resto.

O problema é que o Governo não contava com um ajustamento tão rápido da economia portuguesa, não esperava que os portugueses percebessem, de forma tão transparente, que não haveria limites para a austeridade e, por isso, chega atrasado, muito atrasado, à necessidade de garantir financiamento, a um preço razoável, para as outras empresas. Vai discutir agora, na sétima avaliação da 'troika', novos instrumentos e novas formas de garantir uma normalização do financiamento da banca, necessária à estabilização do financiamento das empresas.

Pedro Passos Coelho avisou, mas ninguém o ouviu, pelos vistos, nem o próprio Governo que lidera. Sem medidas de choque como a redução da TSU para as empresas, a 'troika' antecipava um desemprego da ordem dos 17%, dizia, há meses, em entrevista à RTP. Era um número que pecava por optimismo.

Hoje, há uma pergunta que se impõe: as melhores previsões para o investimento apontam para uma queda superior a 5%, depois de reduções significativas nos últimos três anos. E, claro, neste contexto, sem investimento e sem consumo privado, a economia vai continuar a cair em 2013, 'ajudada' ainda pela estagnação da economia europeia. O que pode levar os empresários que estão no País a investirem ou as empresas estrangeiras a entrarem em Portugal? Tendo em conta o que se sabe, a resposta é simples: nada!

Enquanto Pedro Passos Coelho não for capaz de responder a esta pergunta, enquanto não tiver uma resposta de curto prazo, de choque, de emergência económica, o melhor é prepararmo-nos para mais más notícias nos próximos 12 a 18 meses, pelo menos, enquanto não chega a ajuda europeia. Para a degradação das expectativas dos empresários, para o lamento dos trabalhadores, para mais desemprego.

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:03
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