Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013

Gaspar tem de regressar à casa de partida

O País está numa espiral recessiva e os portugueses já mergulharam numa espiral depressiva, porque o Governo decidiu gerir o País sem sair do gabinete, porque Vítor Gaspar pôs-se a jogar ao monopólio e assumiu o papel da 'banca' e, ao mesmo tempo, de jogador, lançou os dados e foi avançando, mas está agora perto de cair na prisão. O Governo só tem uma saída, é regressar à casa de partida e abrir um verdadeiro processo político de renegociação do acordo com a 'troika'. Um 'reset'. Para garantir que os últimos 18 meses e o regresso aos mercados não foram um fim em si mesmo. O programa de ajustamento desenhado em Abril de 2011 esgotou-se, foi executado ao limite, levado ao extremo do suportável. Ultrapassou a linha que separa a austeridade do empobrecimento estrutural e permanente. Uma recessão de 3,8% no último trimestre de 2012 não está em linha com as previsões do Governo, não está em linha com nada nem com ninguém, talvez se aproxime rapidamente da linha dos gregos. Chegou a hora de Vítor Gaspar mudar as regras do jogo que tem jogado, não com os portugueses, como devia, mas com os credores internacionais, a 'troika'. O Governo tem, por isso, uma oportunidade única. Quando Vítor Gaspar anuncia que Portugal deverá ter mais um ano para cumprir a redução do défice público para valores abaixo de 3%, está apenas a prolongar a agonia de uma economia e de um povo. Será contraproducente. Será, aliás, a segunda vez no espaço de meses que Portugal negoceia o prolongamento das metas de redução do défice. Como se vê, não chega sequer para compensar os desvios de uma economia que não resiste a um ajustamento suportado em aumento de impostos. Nem o reescalonamento - mais um eufemismo - do reembolso do empréstimo. São aspirinas, que adiam o inevitável. O Orçamento de 2013, já aqui o escrevi, não é exequível. Já não era em Outubro, é menos ainda em Fevereiro. Gaspar comprou tempo, não comprou o suficiente. E a revisão das projecções para este ano, uma recessão de 2%, é ainda optimista. Gaspar continua a acreditar que o mundo não mudou assim tanto. Já mudou. O Governo não precisa, ainda, de pedir mais dinheiro. Se não fizer essa renegociação, agora, já, aí sim, será inevitável um novo resgate, venha ele a ter a configuração que tiver, com mais dinheiro e mais austeridade. Uma renegociação política do acordo com a 'troika' interessa a Portugal, interessa à 'troika'. E só faz sentido se for ambiciosa, se o Governo considerar medidas de excepção para um momento de excepção. Sem pôr em causa a necessidade de fazer o ajustamento das contas públicas. A reestruturação da economia está em curso, a austeridade está a produzir uma reestruturação mais rápida e mais profunda, surpreendeu um ministro que foi avisado a tempo, e com tempo. Tem, agora, de garantir que os recursos financeiros que deixaram de ser canalizados para os sectores protegidos da economia cheguem aos sectores expostos à concorrência. Não estão a chegar, não há projectos porque não há nenhum investimento que garante uma taxa de rentabilidade suficiente para pagar o custo desse financiamento. Hoje, nem as PPP são financiáveis àqueles juros. Gaspar tem, agora, de garantir incentivos de choque para promover o investimento empresarial privado, ao mesmo tempo que terá de manter o objectivo de redução do peso da despesa pública corrente em percentagem do PIB. Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar têm, por isso, a partir de 25 de Fevereiro a última oportunidade para causar uma última boa impressão. Vão dar razão a António José Seguro? É justo reconhecer as razões do líder do PS nesta questão, quando, em Julho do ano passado, afirmava em entrevista ao Diário Económico que a sua alternativa à política do Governo era mais tempo para fazer o ajustamento. É a vida. O País é mais importante.

publicado por concorrenciaperfeita às 00:48
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