Domingo, 17 de Fevereiro de 2013

Passos remodelou Governo sem mudar ministros





Pedro Passos Coelho anunciou uma remodelação governamental, a primeira, sem mudar um único ministro, uma remodelação da política que tenta responder, eventualmente tarde, à espiral recessiva em que o País está mergulhado. O Governo entrou na segunda fase do ciclo governativo mais cedo do que esperava, por necessidade e não por convicção.

O programa de austeridade resultou muito melhor do que o Governo estava à espera, leia-se mais rapidamente, o que surpreendeu. Mas também a profundidade, que o Governo, essa, não esperava. A mudança de discurso já estava a ser ensaiada há algumas semanas, até o ortodoxo António Borges já tinha afirmado o fim de mais austeridade. Pelo menos desde o regresso aos mercados, mas com cautela necessária para não criar falsas expectativas internamente e não assustar os credores externos. A última semana foi, por isso, uma bomba que rebentou em São Bento e na Praça do Comércio. E uma pequena vitória de Paulo Portas e de Álvaro Santos Pereira, mas à custa de uma recessão histórica e de 1,4 milhões no desemprego.

Passos Coelho queria esperar pela derrota nas autárquicas para abrir um novo ciclo político, mas a realidade, como já tinha feito a Sócrates, trocou-lhe as voltas. Agora, vai tentar recuperar o controlo da agenda política com a mais do que evidente renegociação do acordo com a 'troika'. Um orçamento de 2012 assente em impostos e medidas temporárias, que o Tribunal Constitucional chumbou, e um orçamento de 2013 assente unicamente em impostos só poderia dar nisto. Passos e Gaspar desenharam o Orçamento para comprarem tempo de negociação com a 'troika', à espera das eleições alemãs de Setembro, mas foram obrigados a antecipar calendários.

O primeiro passo, significativo, foi condicionar o líder do CDS-PP, que vai ser o responsável do guião político do corte de quatro mil milhões de euros (vão mesmo avançar?) e da reforma do Estado, ambas necessárias, mas com mais tempo. Portas passou, agora, a número dois do Governo.

O segundo passo foi o discurso de sexta-feira na Assembleia da República. Passos admite a espiral recessiva porque já sabe que ela está aí, só falta a divulgação dos números do primeiro trimestre para a confirmar. E pré-anunciou o que já é óbvio, e que nem o corte de quatro mil milhões garante: Portugal não conseguirá cumprir as metas de redução do défice público para 2013, por isso, vai precisar de mais tempo, além do que já estava negociado - mas ainda não formalizado - para o reembolso do empréstimo da 'troika' na parte relativo ao financiamento do fundo europeu.

O Governo já perdeu o primeiro trimestre de 2013 - que vai ser pior do que o mau fim do ano de 2012 -, precisa por isso de medidas de choque, nomeadamente na área fiscal e de estabilização do financiamento das empresas, e da compreensão dos nossos credores. Ambas as condições são necessárias, mas não suficientes, para evitar a tragédia económica e social, que só poderá resultar numa crise política.




publicado por concorrenciaperfeita às 00:00
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