Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013

Assim se vê a força de Angola

 

 

No momento em que as relações políticas e diplomáticas entre Portugal e Angola vivem momentos, no mínimo, conturbados, a Sonangol reforça a sua posição accionista no Millennium bcp. Ao que considera uma guerra política e judicial, Angola responde com poder, influência e dinheiro.

Portugal, a "desvairada imprensa portuguesa", "as elites corruptas políticas e económicas daquele País em profunda crise moral", foram esta semana brindados com mais um texto de opinião do director do Jornal de Angola. Uma resposta a mais uma notícia do Expresso sobre uma investigação do DCIAP ao Procurador-Geral da República de Angola. Só escapa Paulo Portas, que era nos tempos de jornal 'O Independente' um inimigo público do MPLA e hoje a única ponte política entre Lisboa e Luanda.

Claro, há um enquadramento novo nas relações entre os dois países, uma necessidade que levou o ministro dos Negócios Estrangeiros, e bem, a visitar Angola e a garantir que o investimento angolano em Portugal é bem-vindo. É justo reconhecê-lo, em determinados círculos, mais por necessidade do que por convicção, e não deveria sê-lo. Não reflectem, ainda assim, a avaliação dos portugueses, como se percebe das posições de Isabel dos Santos ou da própria Sonangol em Portugal, com benefícios para ambos os países.

O reforço da posição do BCP para 20% - o tecto autorizado pelo Banco de Portugal - é, neste contexto, uma demonstração de força, e que, aliás, deve ser somada à decisão de 'matar' um acordo que tinha sido assinado com a Caixa Geral de Depósitos (CGD) para um banco em Angola.

A Sonangol já era o accionista de referência do Millennium BCP, escolheu Nuno Amado para a presidência do banco há cerca de um ano, definiu a estratégia, que agora é reafirmada. Tinha cerca de 15% do capital, o aumento da posição para pouco menos de 20% serve  para baixar o preço médio das acções da petrolífera angolana, e demonstra a confiança na equipa e no plano de recuperação da instituição. Tudo isto é verdade, mas não é toda a verdade.

 

As lições de Itália

O caos político em Itália deveria ser um aviso para o Governo e também para os que, em Portugal, sonham com eleições antecipadas. Os italianos caminham para a ingovernabilidade e já há quem defende uma solução 'à grega', isto é, novas eleições até os cidadãos escolherem um partido ou uma coligação que garanta um executivo estável.

As obrigações italianas evoluiram ontem ao sabor das sondagens, instáveis como os resultados que davam a vítoria ao centro-esquerda e que, depois, antecipavam o regresso de Berlusconi ao poder. Hoje se saberão os resultados definitivos e, provavelmente, a instabilidade política total. Os italianos não gostaram do tecnocrata Monti, preferem a política que resulta de opções e votos.

O Governo deve perceber que tem de ter um discurso político, tem de explicar o que quer e ao que vai. Os outros, os que apostam na queda do Governo, têm de perceber que uma crise político é o caminho mais rápido para o segundo resgaste. Nem o BCE nos salvará.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:02
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