Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2013

A culpa não é dos italianos

 

A instabilidade regressou à Europa e ao euro por causa das eleições em Itália e do risco de ingovernabilidade que atingiu aquele país fundador do projecto europeu, mas o que os italianos mostraram é que estamos ainda longe de sair de uma crise que o BCE tem ajudado a disfarçar.

A forma mais fácil, e redutora, de analisar os resultados das eleições em Itália, a votação desastrosa do candidato preferido da Troika e dos mercados, Mário Monti, e a expressiva votação no comediante Beppe Grillo, é considerar que os italianos são irresponsáveis e merecem o que têm. É, seguramente, um erro que nos custará, a todos, europeus, muito. Eventualmente o futuro. Porque a Itália não é a Irlanda, nem sequer Portugal, menos ainda a Grécia.

Os líderes europeus, Angela Merkel, Durão Barroso, e até o primeiro-ministro português, Passos Coelho, devem tentar perceber o que fizeram de errado, o que não fizeram, para levar os italianos, leia-se a Democracia, a responder desta forma às exigências que se colocam à Europa. A primeira responsabilidade é deles, não é dos eleitores em Itália, que não perceberam para que serve a austeridade, o reequilíbrio das contas públicas, o corte em direitos que eram dados como adquiridos.

Os resultados em Itália, a instabilidade governativa que lança dúvidas sobre o que foi a evolução da crise europeia nos últimos meses, para dizer o mínimo, devem ser aproveitados como uma lição. A alternativa são as ameaças, no fundo, afirmar que a Itália deve sair do euro, ou melhor, que o euro deve acabar.

Esta lição não serve apenas para a Europa, serve também para Portugal e para o que está para vir. A possibilidade de o país avançar para eleições antecipadas seria um desastre, mesmo sem um palhaço como Grillo. Se a governabilidade em Portugal é posta em causa semana sim, semana não, apesar de uma coligação, se o necessário ajustamento das condições financeiras é tão difícil do ponto de vista económico, político e social, e ainda não está concluído, o que seria um governo minoritário?

Dito isto, a responsabilidade de Pedro Passos Coelho e de Vítor Gaspar é a de explicarem as virtudes de um processo de ajustamento que chegou ao limite das suas possibilidades, é negociar nesta sétima avaliação da Troika novas condições que criem os incentivos correctos ao investimento privado, a única forma de garantir a saída da crise.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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