Sexta-feira, 1 de Março de 2013

Estamos entre os quilómetros 30 e 35 da maratona

 

O desastre económico do último trimestre de 2012 foi o ponto de viragem político do Governo, o sinal vernelho de que tinham de parar, escutar e olhar. Agora, em vez de falar na necessidade de executar o programa de ajustamento além do exigido pela 'troika', o Governo antecipa o que será a vida dos portugueses quando a 'troika' sair do País. Mas é preciso, primeiro, chegar a Junho de 2014.

Vítor Gaspar disse, um dia, no Parlamento que o processo de ajustamento era uma maratona e que os portugueses tinham, felizmente, "uma maravilhosa tradição" nesta disciplina, estavam habituados a correr e a triunfar. Disse mais, que os maratonistas não desistem ao quilómetro 27 da maratona, regra geral, desistem entre os 30 e os 35 quilómetros. É, talvez, por isso que o Governo já prefere falar do quilómetro 43, depois da meta, quando os portugueses estão a atravessar, precisamente agora, o momento mais difícil.

Percebe-se a intenção. A economia entrou numa espiral recessiva, os portugueses estão numa espiral depressiva, a 'troika' está em Portugal para avaliar a reforma do Estado e o corte de quatro mil milhões de euros nos próximos dois anos e estamos a 24 horas de mais uma manifestação.

Comecemos pelo fim. A manifestação de amanhã não tem nenhum alvo específico, como sucedeu no dia 15 de Setembro e no agravamento da TSU para os trabalhadores. Não será, além disso, inorgânica, espontânea, é organizada, tem o apoio da CGTP, e isso é, paradoxalmente, um obstáculo à presença de portugueses que criticam o Governo, mas não alinham com os sindicatos e os movimentos radicais mais à esquerda. Arrisco a previsão de que será uma manifestação expressiva, porque os portugueses já sofreram no salário de Fevereiro o efeito do brutal aumento de impostos, mas longe do impacto mediático, interno e externo, de de Setembro.

O problema de fundo mantém-se e pode até agravar-se. Não é possível gerir o caos, a depressão em que os portugueses estão mergulhados. O primeiro-ministro deu ontem o mote, quando centra o discurso no pós-'troika', quando tenta sublinhar as virtudes do programa de ajustamento, necessário para criar as bases de um crescimento económico saudável, sem recurso ao cartão de crédito, mas que já cumpriu os seus objectivos, já se esgotou.

O problema é que este discurso já deveria ter surgido na narrativa do Governo, o problema, provavelmente, é que o Governo tem várias narrativas, e vários narradores, facto evidenciado pela evolução da semântica em torno da reforma do memorando, que passou a reforma do Estado e que agora é a reforma das administrações públicas.

O primeiro-ministro não pode omitir o que se passa agora, as explicações que tem de prestar no momento em que parece que os portugueses vão desistir, não pode esquecer o que se está a passar entre o quilómetro 30 a 35 e o fim da maratona, em Junho de 2014. Não será credível, não convencerá ninguém.

 

Os números falam por si, caro leitor

 

 

Foram ontem publicados os números oficiais da APCT relativos às vendas de jornais em 2012: o Diário Económico registou uma média diária de vendas de 14 118 exemplares e o Jornal de Negócios vendeu uma média de 9 578 exemplares. Os números falam por si, caro leitor.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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