Quinta-feira, 7 de Março de 2013

Uma questão de confiança

 

A banca portuguesa foi capaz de resistir à perda de depósitos nos últimos dois anos na ressaca da crise económica e financeira que atingiu o País e foi, nesta matéria, uma excepção nos países intervencionados, porque defendeu a relação de confiança com os seus clientes. As buscas que a Autoridade da Concorrência e o DIAP desencadearam ontem a cerca de uma dúzia de bancos por suspeitas de concertação de preços de 'spreads' e comissões atingem precisamente este valor crítico da actividade dos banqueiros.

A Autoridade da Concorrência lançou verdadeiramente uma bomba sobre o sistema financeiro, potencialmente mais penalizadora do que os processos judiciais ou guerras de accionistas que nos últimos tempos afectaram alguns dos maiores bancos portugueses. A ideia de que, neste contexto de recessão e desemprego, a banca concertou posições em relação a políticas de preço que afectam a generalidade dos portugueses é intolerável e insuportável.

O próprio Banco de Portugal - que tem a supervisão comportamental - é posto em causa com esta operação. Novamente. O governador, Carlos Costa, tem feito um esforço para recuperar a credibilidade de uma instituição que saiu muito fragilizada dos casos BPN e BPP e que, agora, é surpreendida por uma investigação precisamente sobre o comportamento e a relação dos bancos com os seus clientes.

Manuel Sebastião vai sair da Autoridade da Concorrência já este mês como um herói, porque, aos olhos dos portugueses, foi capaz de afrontar o maior dos poderes, um sector de excepção que não pode ir à falência. Os banqueiros são um alvo fácil, preferencial até, para garantir visibilidade e, é preciso reconhecê-lo, também têm feito por isso.

Esta foi, provavelmente, a última acção do presidente da Autoridade da Concorrência, e sai em grande. Mas deixa um rasto de suspeitas de consequências imprevisíveis num sector que, visto de fora, é dos mais concorrenciais e competitivos. Não apenas por causa da prova - se vier a ser feita - da concertação dos principais bancos a operar em Portugal. A suspeita já está lançada, já chegou à imprensa internacional, e faz lembrar as notícias que chegaram a Lisboa há alguns meses sobre a manipulação da taxa Libor por parte de alguns dos principais bancos ingleses.

A Autoridade da Concorrência tem de investigar se tem indícios fortes de concertação nos 'spreads' e comissões, mas tem sobretudo de ser célere, juntamente com as autoridades judiciais, porque não há economia sem uma banca de confiança. E, a partir de agora, não haverá um português que não desconfie que está a ser enganado e isso mina a confiança, o valor mais importante, o que permite que quem tem poupanças aceite entregá-las a um banco.

publicado por concorrenciaperfeita às 00:00
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