Sexta-feira, 15 de Março de 2013

O fumo negro da Praça do Comércio

 

Vítor Gaspar apresenta hoje aos portugueses os resultados da sétima avaliação da Troika, a mais longa, a mais difícil, provavelmente aquela que vai demonstrar, sem ambiguidades, se ainda existissem, que quem paga manda, quem deve obedece. O fumo da Praça do Comércio, provavelmente, só negro.

O programa de ajustamento assinado com a Troika trouxe-nos até aqui, até à maior recessão desde 1975 e se alguma coisa revelou foram, desde logo, os desequilíbrios económico, financeiro e orçamental que eram financiados a crédito. O programa, com todos os seus defeitos, insuficiências, tem virtudes que foram aproveitadas à exaustão. Esgotaram-se e agora seria necessário mais do que o ajustamento do ajustamento, mas é isso que, tudo indica, foi negociado nestes longos 17 dias de discussões.

O ministro das Finanças foi surpreendido com os números do último trimestre de 2012, porque é falível, como os humanos, ensaiou uma mudança de discurso e criou a expectativa de que poderia sair desta sétima avaliação com uma carta fora do baralho. Mas a Troika também foi surpreendida com o que está a verificar, por exemplo, em Itália, país que derrotou o seu candidato preferido, Mario Monti, de forma estrondosa. E já mostrou, como é exemplo o que fez na Grécia, que não está a ser capaz de avaliar o que está em causa. A Troika está mais inflexível do que nunca.

A sétima avaliação, por isso, não deverá trazer nada de novo, o ministro das Finanças deverá limitar-se a dizer aos portugueses que o melhor que se conseguiu fazer foi ganhar um ano, um ano de corte de despesa, mas também mais um ano de recessão e de desemprego, à espera que a Europa acorde da sua própria estagnação.

O ajustamento do ajustamento à realidade, a uma crise que, já é possível antecipar, será provavelmente mais grave do que a de 2012, vai prolongar a espiral recessiva e depressiva, e não será a partir e por causa desta avaliação que as coisas podem inverter-se. Como diz Eduardo Catroga, desde o início do programa de ajustamento, diga-se de passagem, ao ajustamento financeiro e orçamental, é urgente um ajustamento económico, outro programa.

Os números que serão hoje divulgados pelo ministro das Finanças revelam que o ajustamento financeiro está feito, sobretudo à custa do sector privado, dos impostos e da recessão, porque o Estado continua longe de fazer o que deve, mas, mesmo assim, o ajustamento orçamental está ainda longe de ser conseguido, e menos ainda o ajustamento económico.

O acordo que resulta da sétima avaliação dá, também, mais uns meses, provavelmente até Maio, para o Governo anunciar o corte de despesa pública, que, vai ser feito em três anos. Não será suficiente para nada: adia a reforma estrutural da despesa, mas não chega para garantir o consenso social e político necessários para garantir a estabilidade até Junho de 2014, quando a Troika sair de Portugal.

 

 

PS: Onde está Paulo Portas, o responsável político pelo guião da reforma do Estado?

 

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 00:00
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