Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

O que nos separa da Grécia

A proposta de Orçamento do Estado para 2011 tem inscrita uma dotação para pagamento de juros com a dívida pública portuguesa equivalente ao que o Estado vai destinar ao Ministério da Educação, grosso modo, cerca de 6,5 mil milhões de euros. É esta a factura do que o Governo não foi capaz de fazer, particularmente em 2010, e que torna tão relevante a opinião e a avaliação das agências de ‘rating’.

A crise da dívida pública soberana dos países não é exclusiva de Portugal, é justo reconhecê-lo, começou aliás na Grécia e espalhou-se como um vírus aos países mais frágeis e vulneráveis, se quisermos, aos que não fizeram o seu trabalho de casa depois da crise económica de 2009. Infelizmente, a equipa de Teixeira dos Santos não foi capaz de mostrar que Portugal estava a fazer o que deveria. Fica um exemplo: as despesas com pessoal estabilizaram entre 2009 e 2010 em cerca de 11,4 mil milhões de euros e, agora, para 2011, deverão cair mais de 1,5 mil milhões de euros. Qual foi a consequência? Atacaram, levando os juros da dívida pública a níveis quase insuportáveis. E a fechar o crédito à banca portuguesa. A confissão de incapacidade do ministro das Finanças nas entrevistas que se seguiram à apresentação da proposta de Orçamento diz isso mesmo: não sei o que fazer se estas medidas não chegarem. Provavelmente, saberia se a execução de 2010 não dependesse de uma operação extraordinária como o fundo de pensões da PT.

Felizmente, os mercados e os investidores já ‘aprovaram’ a proposta de Orçamento do Estado para 2011 e, mais, acreditam na capacidade de execução de José Sócrates e Teixeira dos Santos, um ponto, como é óbvio, crítico. Tão importante como a qualidade e quantidade das medidas anunciadas é a reacção ao Orçamento, reacção interna e externa. Os vários indicadores que medem o risco que os investidores atribuem a Portugal – quando decidem emprestar-nos dinheiro – mostram melhorias consistentes. E, como o Diário Económico revela na sua edição de hoje, a Mooddy’s até elogia as medidas do Orçamento, considerando-as adequadas face à situação orçamental do País. O pior é que poderão não chegar se o aumento do custo da dívida permanecer, de forma estrutural, aos níveis que chegou nos últimos meses.

Dito de outra forma, estão também eles, os mercados, os investidores e as agências a condicionar Pedro Passos Coelho para viabilizar o Orçamento. O desfile de personalidade que pressiona o Presidente do PSD vai-se avolumando. Depois de Cavaco Silva (em plena pré-campanha e dispensar uma crise política) e dos banqueiros portugueses, as pressões surgem agora do exterior, da Comissão Europeia, do presidente do Eurogrupo, até do embaixador dos EUA em Lisboa.

José Sócrates e Pedro Passos Coelho estão condenados a entenderem-se e a marcarem um novo confronto para Maio, quando as eleições presidenciais passarem. Porque este orçamento, sendo um mal necessário, é, em certa medida, o que nos separa da Grécia e dos gregos.

publicado por concorrenciaperfeita às 16:56
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