Segunda-feira, 18 de Março de 2013

Gaspar bloqueou o País

 

Vítor Gaspar conseguiu um prémio de consolação na sétima avaliação da 'troika', mais um ano para reduzir o défice público e para reformar o Estado. Não só sabe a muito pouco como é a expressão de mais um falhanço do ministro das Finanças que tem consequências dramáticas: o Governo está bloqueado, o País está bloqueado.

O ministro das Finanças foi, até à sétima avaliação, o avale do Governo nas relações com a 'troika' e, de um modo geral com os credores passados e futuros do País. Esta dimensão internacional foi suficiente para compensar o desgaste político interno. Até agora. A competência técnica e a força política estão postas em causa, e já não é só sequer aos olhos dos portugueses, do Presidente da República, mas da própria 'troika', que já percebeu que Gaspar não tem mão no Governo.

O PSD esforça-se, agora, por reescrever a história para explicar o falhanço do ministro das Finanças. O programa, dizem os seus dirigentes, foi mal desenhado. É verdade, mas o Governo e Vítor Gaspar tiveram tempo para corrigi-lo, e corrigiram-no, diga-se de passagem, a cada avaliação. O memorando que existe hoje já é muito diferente daquele que José Sócrates assinou em Maio de 2011. E deveriam tê-lo corrigido agora, de forma mais pronunciada, nesta sétima avaliação. O que ficou é mais do mesmo.

Vítor Gaspar desenhou um Orçamento do Estado para 2013 sem perceber que o ajustamento económico do sector privado já estava feito e era necessário, sim, executar uma reforma do Estado sem mais demoras, que permitisse evitar o confisco que está hoje em vigor sobre as famílias e as empresas, e que só poderia ter um efeito devastador na economia. A recessão para 2013 agora revista para 2,3% do PIB e um desemprego a tocar nos 19% são apenas o início do que ainda aí vem. O que deveria ser óbvio para um técnico competente e que é também dos mais políticos do Governo foi esquecido e teimosamente contrariado. Ficou uma afirmação que seria cómica se não fosse trágica, a de que o desemprego "é o maior desapontamento". E quatro números (!) para o défice público de 2012, que confundem e descredibilizam.

A possibilidade de adiar por um ano a redução do défice público é apenas o ajustamento do programa de ajustamento, necessário para acomodar nas contas públicas uma recessão superior à prevista, um mal-necessário. Pior é a ideia de que a reforma do Estado, as rescisões amigáveis na Função Pública, vai arrastar-se por três anos. Servirá apenas para bloquear o Governo, que vai entrar em guerra interna, entre ministros, que vão tentar proteger a sua quinta. A reforma do Estado é boa, mas para o vizinho do lado. E vai bloquear o País, porque não haverá decisões de investimento, de empresas e famílias, quando ninguém sabe o que o Governo quer fazer. É por isso difícil perceber o que leva Gaspar a dizer que agora é preciso investimento empresarial privado e que o País vai entrar numa nova fase do programa. A que título?

O tempo de Gaspar está a esgotar-se, e já é possível ver o fim no calendário: Abril/Maio, e a apresentação do Documento de Estratégia Orçamental. Isto se o Tribunal Constitucional não acelerar o calendário. E este é, também o tempo do Governo, e do primeiro-ministro. A remodelação do Governo dependia, em determinado momento, da saída de Miguel Relvas. Agora, a remodelação só existirá se Pedro Passos Coelho mudar o ministro das Finanças. E se não o fizer, será ele próprio, e o Governo, a cavar a sua própria sepultura.

PS: Onde está Paulo Portas, o responsável político pelo guião da reforma do Estado?

 

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 07:00
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