Sexta-feira, 22 de Março de 2013

A nova Oposição

 

 José Sócrates vai regressar à política activa, ao comentário semanal na RTP1 e o País parece ter acordado de uma espiral depressiva para comentar o novo comentador. Quem beneficia, afinal, com este regresso aos ecrãs, o Governo ou a Oposição? A resposta é tão simples quanto clara: Em primeiro lugar, a RTP.

As reacções ao regresso de José Sócrates ao País do seu exílio académico em Paris, tão excessivas com o próprio, confirmam o que já se suspeitava. Homem de amores, muitos, e ódios, ainda mais, o ex-primeiro-ministro que negociou o pedido de ajuda externa à 'troika' em Abril de 2011 vai ter de fazer muitos comentários, vai ter de passar muitos fins-de-semana para normalizar a sua relação com os portugueses. Como dizia em entrevista recente ao Económico o ex-ministro Freitas do Amaral, os portugueses ainda não fizeram as pazes com Sócrates. E veremos se algum dia o farão.

A direcção de informação da RTP tomou a melhor das decisões, contratou o comentador que todos gostariam de ter e garante um trunfo, necessário, mas não suficiente, para voltar à guerra das audiências com a SIC e a TVI. Depois da agitação do mercado dos comentadores, com transferências milionárias, o melhor ficou para o fim, e foi da RTP. Mesmo com as críticas, até do CDS, de quem entende que a informação da RTP deve ser decidida pelos políticos, a fazer recordar a triste ideia de que a RTP deveria recuperar o TV Rural.

Na dimensão política deste regresso, talvez prematuro, de Sócrates e que abre todas as discussões, ressalta a ideia de que muitos dos que criticam a direcção da RTP por esta iniciativa terem estado na linha da frente quando o Governo do ex-primeiro-ministro era acusado de asfixia democrática. Ironias.

Sobra a substância, isto é, o teor dos comentários do ex-primeiro-ministro, a agitação política, os visados. O ajuste de contas, mais cedo ou mais tarde.

Este regresso vai, necessariamente, atenuar, numa primeira fase, o desgaste do Governo, porque a discussão voltará a ser, como já foi ontem, em torno do que Sócrates fez, e não fez, quando liderava o Governo. Não será possível reescrever a história. Mas o próprio vai, obviamente, aparecer com gráficos e tabelas para demonstrar o estado actual do País, a degradação da situação económica, e talvez seja isto mesmo que explica a decisão de antecipar um regresso surpreendente. António José Seguro, esse, que parecia ter ganho o partido depois da guerra com António Costa, volta a ter de viver com um fantasma, este muito real e com direito de antena semanal na RTP1. E, em Belém, o dia de ontem deve ter sido difícil.

A partir de Abril, vai passar a haver uma oposição à Oposição, uma oposição ao Governo e uma oposição ao Presidente da República. Incontornável.

 

PS: Fica uma sugestão pública para Paulo Ferreira, director de informação da RTP: Sócrates ao domingo à noite, para concorrer com Marcelo Rebelo de Sousa.

 

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 07:00
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