Quarta-feira, 3 de Abril de 2013

A censura de Seguro

 

Hoje é o primeiro dia do resto da crise política em que o País está mergulhado pelo menos desde o dia 15 de Setembro do ano passado, com um interregno, curto, por altura do regresso de Portugal aos mercados. António José Seguro precipitou-se na apresentação de uma moção de censura - independentemente das críticas, muitas, que este Governo 'pede' todos os dias - que acelera o segundo resgate a Portugal.

Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar trabalharam arduamente para afastar o PS e os parceiros sociais de um consenso mínimo necessário para executar o plano da 'troika'. Por actos e omissões, decidiram governar contra tudo e contra todos e, por isso, agora, não têm a legitimidade de se mostrarem surpreendidos com a iniciativa de Seguro. Ainda assim, percebe-se que o PS se 'esqueceu' do momento que a Europa e o País vivem. Porquê? Se a moção de censura fosse para levar a sério, se tivesse consequências imediatas, seria um regresso instantâneo a Março de 2011, para muito pior. Porque, entretanto, já estamos sob intervenção.

O PS é um partido de poder, não pode usar o instrumento da moção de censura apenas para mostrar que existe, não pode comportar-se como o BE e o PCP que ninguém vê no Governo, nem os próprios. Uma moção de censura do PS quando ainda não passou metade da legislatura dá os sinais errados no momento errado. Quebra pontes definitivamente. Que nem uma nova carta à 'troika', uma profissão de fé nos nossos credores, disfarça.

Seguro tem razão num ponto: o Governo perdeu uma oportunidade para mudar o ciclo, a sétima avaliação da 'troika'. E está agora bloqueado por uma decisão do Tribunal Constitucional (TC) e pela necessidade de fechar uma negociação decisiva, a das novas maturidades para o reembolso dos juros. E vai tentar dar o salto em frente com uma remodelação. Para o abismo? Uma mudança de ministros sem mudança de ciclo político será igual a zero. Mas a moção não ajuda para esta discussão.

A moção tem muitos problemas, e uma virtude. Nos últimos 15 dias, as 'yields' das obrigações do tesouro de Portugal a dez anos - a maturidade necessária para estarmos em condições de aceder ao apoio do BCE a partir de Julho de 2014 quando, e se, a 'troika' sair do País - subiram dos 5,9% para valores acima dos 6,4%. Claro, por causa da desastrosa gestão do caso do Chipre, dos italianos que se preparam a ir para novas eleições, mas também por razões internas. Por incompetência do Governo, por sofreguidão do PS, pela demora dos juízes do TC.

O Económico noticiou há mais de duas semanas, em primeira mão, que o Governo não faria uma nova emissão de dívida a dez anos antes da decisão do TC, e esta é mesmo para levar a sério. Pelo caminho que as coisas estão a tomar, até este calendário vai ficar para mais tarde e, aqui, a moção do PS vai dar uma ajuda preciosa.

Qual é a virtude? Chama à responsabilidade, obriga a clarificar a mais importante das questões, e que os sinais que se vão vendo e lendo não esclarecem. A discussão não é apenas portuguesa, as decisões passam por várias capitais europeias. Queremos, afinal, ficar no euro?

publicado por concorrenciaperfeita às 07:00
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