Quinta-feira, 4 de Abril de 2013

Mercados censuram a crise política

No dia em que António José Seguro censurou o Governo, a mais importante das moções, aquela que devemos ver e ouvir com a máxima atenção, não foi votada no Parlamento, sucedeu na bolsa de Lisboa e passou com os votos dos investidores internacionais: a bolsa caiu 3,5% e a banca registou desvalorizações de 8%, perderam-se milhões num só dia, como se de um aviso se tratasse. É justo reconhecer, as praças europeias estão ainda a pagar os devaneios dos ministros das Finanças do euro, a fixação de uma taxa para os depósitos inferiores a 100 mil euros e o anúncio - em contra-corrente - de uma nova fórmula para a salvação e reestruturação da banca. Mas o comportamento negativo da Euronext Lisboa superou a evolução nas outras praças da moeda única. Há, aqui, uma moção de censura aos políticos em Portugal e, claro, quem for responsável por uma crise política não será poupado pelos nossos credores e pelos portugueses. Os investidores estão a ficar nervosos, e isso deveria ser um alerta suficientemente relevante, deveria ser levado a sério. A democracia, sim, não pode ser substituída pelos mercados, mas a verdade é que são os mercados que, também, permitem a democracia, particularmente num momento como este, em que estamos dependentes do financiamento dos credores internacionais. O Governo merece ser censurado, seguramente. Porque não percebeu que o programa de ajustamento já tinha cumprido o seu papel, esgotou-se, porque da sétima avaliação deveria ter saído um novo ciclo político e económico, e um programa revisto e aumentado. E não saiu. Mas sem uma moção de censura que, como ficou claro do debate parlamentar de ontem, não antecipa uma alternativa. António José Seguro deixou claro que o que tem para oferecer aos portugueses é fazer o que este Governo está a fazer, mas melhor. E basta uma análise às suas propostas, como por exemplo o aumento do salário mínimo, para ser claro que a agenda de Seguro e do PS dependem da 'troika'. E se Seguro chegar ao poder depois de eleições antecipadas, dependerá ainda mais do que depende hoje. É a vida, dizia Guterres. O secretário-geral do PS assumiu uma ruptura política e, é preciso reconhecer, Passos Coelho contribuiu e muito para isso. Porque nunca quis, verdadeiramente, um consenso com os socialistas. Para isso, não poderia ter falhado, e falhou. Nem tudo foi mau, já vivemos dentro das nossas possibilidades, mas à conta de uma brutal recessão e de um desemprego histórico. O País não está livre de uma crise política, por causa da instabilidade política, por causa do Tribunal Constitucional, acima de tudo, por causa do coligação governamental, que assentou a sua estratégia de consolidação das contas públicas num aumento brutal de impostos e deixou a reforma da despesa, as rescisões na Função Pública, para o fim. E se isso vier a suceder, a queda da bolsa de Lisboa registada ontem será apenas um dia menos mau nesta história. Não somos a Grécia, mas também não somos a Itália, e um segundo resgate pode levar-nos directamente para Chipre.

publicado por concorrenciaperfeita às 07:00
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