Segunda-feira, 15 de Abril de 2013

CGTP só defende os que têm poder de manifestação

 

Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar prometem, mais uma vez, cortar na despesa do 'patrão' Estado, muito mais difícil do que aumentar os impostos e obrigar os privados a compensarem, com austeridade, o que o Governo não fez e o que o Tribunal Constitucional não deixou. E eis que surge a CGTP a defender os funcionários públicos, beneficiados face aos trabalhadores do privado. Porque será?

Arménio Carlos juntou, este fim-de-semana, mais uns milhares de manifestantes em Lisboa, e deixou perceber o que realmente pensa do TC, pior do que as pressões públicas do primeiro-ministro, o secretário-geral da central sindical do PCP entende que os juízes do palácio Ratton decidiram pela pressão das ruas, por causa das manifestações. Um chumbo mais político do que este não há. Mas Arménio Carlos também recusa a ideia de uma convergência de sistemas entre os sectores público e privado nas regras da saúde, na formação da pensão, nas leis laborais, o que custa a perceber quando se sabe que os quase 20% de desemprego resultam, sobretudo, do facto do Governo exigir ao sector privado o financiamento do sector público, com muitos impostos.

O secretário-geral da CGTP está mais preocupado com o suporte político e capacidade de mobilização entre os funcionários públicos, que têm emprego, com o financiamento da central sindical que vem dos sindicatos da Função Pública, do que com os desempregados e trabalhadores do sector privado que não têm tempo, nem dinheiro, para  a política da rua, a que dá minutos nos telejornais e a aparência de uma força e representatividade que não tem.

Os funcionários públicos - os próprios não são os responsáveis pelo estado do Estado 'patrão', é bom dizê-lo, e há tão bons funcionários no Estado como no sector privado - ainda têm muito a perder, desde logo a garantia de um emprego, coisa que os trabalhadores do privado há muito perderam. São o último terreno de captação e mobilização dos sindicatos, têm peso social para pressionarem o Governo, são por isso a última esperança de uma central sindical que, ao contrário da UGT, graças a João Proença, auto-exclui-se do futuro do país e prefere, sempre, a rua.

Os desempregados não ficam para trás apenas pelas empresas e pelo Estado, são também votados aos esquecimento pelos sindicatos, apesar dos discursos e da retórica. Os objectivos são outros, são os empregados. Se fossem os desempregados, a CGTP participaria na discussão sobre uma convergência de regimes não só justa como necessária para diminuir a carga fiscal, para permitir o investimento, privado, e a criação de emprego.

Se há alguma virtude na decisão do Tribunal Constitucional - uma decisão errada na forma e na substância, corporativa e, também, em causa própria - foi tornar óbvio que o número 13 da Constituição, o princípio da igualdade, está consagrado mas não existe na prática. Porque o sector público e o sector privado vivem no mesmo país, mas vivem dois regimes. A transição para um regime apenas não pode ser um 'big-bang', mas tem de ser acelerado, ao ritmo da necessidade do país, porque não vivemos um tempo normal, vivemos um tempo acelerado. Económico, político e social.

Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar não queriam, realmente, diminuir o peso do Estado, não tinham essa prioridade, a democratização da economia era pouco mais do que um 'slogan' de um Governo que, nos primeiros 22 meses, não teve nada de neoliberal. Pelo contrário, a carga fiscal aumentou para valores insuportáveis, que explica parte do estado recessivo da economia em que estamos metidos.

 

PS: O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, quer que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, obrigue os bancos a concederem mais crédito à economia. Será que vai sentar-se nos conselhos de crédito dos bancos que recorreram a ajuda pública? Já temos uma Caixa Geral de Depósitos, teme-se o pior.

publicado por concorrenciaperfeita às 07:00
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