Quarta-feira, 17 de Abril de 2013

Um encontro para a 'troika' ver?

 

Pedro Passos Coelho decidiu emendar a mão e, depois de fazer tudo para afastar António José Seguro, convidou o líder do PS a sentar-se à mesma mesa, já hoje, em registo de urgência para tentar convencer a 'troika' de um consenso político que já desapareceu há muito das relações entre o Governo e a Oposição. Vai a tempo?

O primeiro-ministro convenceu-se, cedo, que a maioria parlamentar seria suficiente para garantir a execução de um programa de ajustamento necessariamente doloroso se tudo corresse como o previsto. Mas, percebeu, tarde, que os sucessivos desvios na aplicação de um programa que já está esgotado - por erros próprios e responsabilidades alheias - obrigariam não só a envolver, como a comprometer, o PS neste processo. Tarefa difícil quando nem Paulo Portas está convicto das virtudes do modelo que se seguiu nos últimos 22 meses. E a resposta de Seguro, com a moção de censura despropositada no tempo e na forma, só serviu para piorar a conflitualidade política. O convite de Passos Coelho soa, por isso, a uma obrigação, imposta pela 'troika', mas não é, por isso, menos relevante, e uma oportunidade para recuperar um tempo perdido.

A carta, que o Económico revelou em primeira mão no 'online' (www.economico.pt), é auto-explicativa das barreiras que se colocam à negociação entre o Governo e o PS, depois de um extremar de posições de Seguro, que só se percebe à luz da vontade de ser primeiro-ministro. Caminhos alternativos, em Democracia, existem sempre, mas, no quadro em que o país vive - e presumo que Seguro não quer a saída do euro - há um que não tem alternativa: Portugal tem de voltar a financiar-se por si próprio, sem a 'troika', já a partir deste ano, para assegurar que em Julho de 2014 estaremos em condições de passar de uma situação de coma financeira induzida para a respiração pelos próprios meios.

O espaço de manobra é muito reduzido e se em Maio Portugal falhar a renegociação das maturidades, e deixar o comboio da Irlanda, o segundo resgate será inevitável. Temos um compromisso político dos ministros do euro, condição necessária mas não suficiente para assegurarmos uma decisão formal. A Irlanda já passou essa fase, mas Portugal tem de manter um esforço de reequilíbrio das contas públicas. É este o pano de fundo com que Passos e Seguro têm de trabalhar. Outro qualquer, de parte a parte, só servirá para enganar a 'troika' por mais alguns meses, mas como diz o ditado, pode-se enganar alguns durante algum tempo, pode-se enganar alguns durante todo o tempo, mas não é possível enganar todos durante todo o tempo. Menos ainda os credores, os actuais e os futuros.

A reunião desta manhã é, por isso, absolutamente essencial, é o encontro mais importante do resto da vida política de Pedro Passos Coelho e de António José Seguro. E mais ainda dos portugueses, sobretudo dos que pagaram com desemprego ou com impostos, um programa de ajustamento que já está a entrar na fase final de execução, sem direito a retorno.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 07:00
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