Quinta-feira, 18 de Abril de 2013

O mais difícil ainda está para vir

 

O ciclo político em Portugal mudou mesmo esta semana e, para quem tinha dúvidas, a conferência de imprensa de mais um longo Conselho de Ministros foi o tira-teimas. As contas de 2013 são o menor dos problemas de Passos Coelho e de Vítor Gaspar, a questão central é mesmo convencer os ministros das Finanças do euro em meados de Maio da bondade de uma reforma do Estado que está prometida desde o início da legislatura e que não tem pernas para andar, como já é evidente, sem a anuência de António José Seguro.

O Governo garante que vai cortar este ano cerca de 800 milhões de euros de despesas correntes dos ministérios, particularmente de pessoal e de bens e serviços, mas nada de estrutural, para garantir o compromisso de 5,5% de défice. Eis o Plano B que Gaspar dizia não ter. Será, mais uma vez, uma compressão da despesa que vai 'pressionar' o funcionamento dos serviços do Estado. Não são cortes cegos, mas são cortes à cega, por necessidade, aos quais serão acrescentados mais 300 milhões da renegociação de Parcerias Público-Privadas, na prática uma meta que já existia, já estava contabilizada no Orçamento deste ano, e que aparece, agora, por razões políticas. Para os portugueses verem.

Agora, já não será possível adiar por muito mais tempo a reforma do Estado, o corte de quatro mil milhões de euros. Aliás, tempo é coisa que Passos Coelho e Vítor Gaspar não têm, menos ainda o País, que está outra vez em risco de precisar de um novo resgate e da austeridade que ninguém quer. A primeira data no calendário é mesmo o eurogrupo de meados de Maio, que só aprovará formalmente a renegociação das maturidades dos empréstimos a Portugal se o Governo apresentar um plano credível de reequilíbrio orçamental, que tem de estar fechado até ao final deste mês.

O primeiro-ministro poderá sempre fazer um plano apenas com o apoio da maioria parlamentar, mas como se percebe da dificuldade em fazer passar medidas de corte de despesa dentro do próprio Governo, mais difícil será negociá-lo com o PS e António José Seguro. Imaginem a pressão que o secretário-geral do PS vai sofrer hoje ao almoço com Mário Soares.

Passos Coelho e Vítor Gaspar deslocaram o centro do debate político da coligação governamental para um 'bloco central', essencial para fazer passar a reforma do Estado e, necessariamente, as rescisões na Função Pública. O discurso do novo ministro, Miguel Poiares Maduro, foi a prova que faltava, mas é preciso mais do que discursos e palavras de consenso para convencer um PS que, de facto, só foi chamado em situação de aflição.

 

 

Privatizações 3 - Falhanços 3

 

O Governo já privatizou três empresas 'incumbentes', a EDP, a REN e a ANA, de sectores protegidos e/ou altamente regulados, com um encaixe de milhares de milhões. Mas falhou a venda de três empresas que estão no mercado, em concorrência, a TAP, a RTP e agora os Estaleiros de Viana. Fica, assim, demonstrado como os investidores internacionais avaliam Portugal e os seus activos. Ou como nem sempre é fácil vender os anéis, especialmente quando não são de ouro.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 07:02
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