Sexta-feira, 19 de Abril de 2013

A palavra está do lado da 'troika'

 

A reunião entre Pedro Passos Coelho e António José Seguro trouxe muito de novo, ao contrário do que afirmou o líder do PS, trouxe desde logo a responsabilização da própria 'troika' pela capacidade de manutenção de um consenso político mínimo para assegurar a execução de um programa de ajustamento que está em vias de falhar.

O programa, é preciso recordá-lo, tem vários objectivos, mas tem uma meta maior, a de garantir a capacidade do país de voltar a financiar-se nos mercados de forma independente, coisa que não está ainda assegurada. E a primeira e mais importante medida de avaliação do programa será precisamente o regresso aos mercados, só possível se Portugal percorrer um caminho, mais à esquerda ou mais à direita. Hoje, é claro que se Portugal não fechar em Maio a renegociação das maturidades, perde o comboio da Irlanda e dificilmente escapará a um segundo resgate, com a devida factura.

Da reunião entre Passos e Seguro, sublinharam-se as divergências, mas essas eram expectáveis, e até óbvias. Prefiro salientar as pontes e as possíveis convergências, do primeiro-ministro de marcar novas reuniões e do líder do PS de aceitar como um princípio fundamental a necessidade de rever o calendário das amortizações de empréstimos da 'troika'. Não é pouco.

Não é legítimo pedir a António José Seguro que mude tudo o que andou a dizer nos últimos meses, nem sequer centrar a discussão na atribuição de responsabilidades passadas por causa da ruptura política entre os partidos do arco do poder. Arrisco dizer que Portugal só se salvará de um segundo resgate se houver um consenso, aqui e agora, entre o Governo e o PS. Seja por necessidade ou convicção, e presumo que a primeira é mais verdadeira do que a segunda, Passos Coelho tem de abrir espaço a uma negociação e tem de convencer a 'troika' de que, sem o PS, mais vale voltar a fazer tudo de novo, e já.

Há um passo importante que o primeiro-ministro tem de tomar, sem o qual a sua disponibilidade para o diálogo não passará mesmo de uma encenação. É crítico que não feche um acordo com a 'troika' sem envolver o PS, particularmente as medidas necessárias para acomodar os 1,3 mil milhões de euros decorrentes da decisão do Tribunal Constitucional. Do Conselho de Ministros de ontem podem sair várias decisões, mas deverá seguramente sair uma, de bom-senso, que é não fechar um pacote de medidas sem avisar, e tentar consensualizar, esse caminho com António José Seguro.

Sobra, por isso, também, desta reunião imposta pelos credores externos de Portugal e que são também interessados em garantir o sucesso do programa português a responsabilidade de perceber o que está em causa, e actuar em conformidade.

publicado por concorrenciaperfeita às 07:03
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