Quarta-feira, 24 de Abril de 2013

Álvaro 'start-up'

 

Álvaro Santos Pereira apresentou o 'seu' memorando de crescimento, uma tentativa de fazer o contra-ponto ao memorando de austeridade de Vítor Gaspar e às operações de aquisição hostis de Paulo Portas à economia. É uma espécie de 'Álvaro start-up', que Passos Coelho deveria aproveitar.

Em primeiro lugar, o 'timing': a estratégia para o crescimento, emprego e fomento industrial 2013-2020 seria uma óptima forma de abrir um novo ciclo político. Seria… se este Conselho de Ministros não surgisse, literalmente, 'entalado' entre dois conselhos de ministros que servem para definir cortes de despesa, mais austeridade, inevitável. Não há boa maneira de dar más notícias, especialmente quando se repetem, mas teria sido possível, e desejável, proteger a economia, ou melhor, o plano para a economia.  Que nem tem tempo para respirar.

Claro, Álvaro Santos Pereira deveria, provavelmente, ter feito uma aliança, em tempo oportuno, com Vítor Gaspar, até para contrabalançar os objectivos políticos de Portas, claros desde o primeiro dia, desde que passou a controlar o AICEP e Pedro Reis. Ao não fazê-lo, abriu duas frentes que não poderia ganhar. Tem, aqui, e agora, uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão, porque Gaspar também precisa de boas notícias económicas.

O plano, na substância, tem méritos e virtudes, se Álvaro puder e Passos, Gaspar e Portas deixarem. Permite um enquadramento de médio e longo prazo, confere estabilidade, coisa que não é habitual por estas paragens, e tenta, sobretudo, resolver com duas ou três medidas emblemáticas o financiamento e os incentivos ao investimento no curto prazo, isto é, já em 2013. Não sei se vai tarde, mas mais vale tarde do que nunca, tendo em conta que só há mesmo uma saída possível para a economia nacional, o investimento privado.

Ressalta, claro, o futuro banco de fomento, mas do ponto de vista mediático, porque não será decisivo nem fundamental para o financiamento das empresas. Porque, na verdade, é a concentração de fundos comunitários e recursos nacionais já existentes e, mais do que isso, não estará de pé antes de 2015.

O que fica, então? Em primeiro lugar, as instruções à CGD para que conceda mais mil milhões de euros de crédito às pequenas e médias empresas já este ano e mais 2,5 mil milhões em 2014.

Não, não é uma intervenção abusiva, é uma definição mais clara, mais objectiva, do papel que a Caixa deve ter. O accionista Estado não tem apenas o direito de o fazer, tem a obrigação, desde que isso não ponha em causa os rácios de capital e a solvabilidade do banco público.

Em segundo lugar, a renegociação dos prazos e spreads das diversas linhas de financiamento às PME, as famosas PME Invest e Crescimento, além da nova PME Exportações, é crítica para centenas de milhares de pequenas e médias empresas, e poderá ter um efeito de arrastamento positivo sobre as outras operações de financiamento da banca.

Em último lugar, mas não menos importante, as mudanças em IRC já com efeitos em 2013, se Álvaro Santos Pereira conseguir convencer o seu colega das Finanças. Quer por causa das medidas de curto prazo, quer pelo compromisso político, ainda sem números, sobre a descida da taxa nominal do imposto para os próximos anos.

Álvaro Santos Pereira tem, nas mãos, o salvo-conduto da sua própria permanência no Governo, e é talvez a ponte que faltava para aproximar o Governo do PS, porque se há matérias sobre as quais é possível um consenso são mesmo estas, do crescimento, do financiamento e dos impostos. 

 

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 07:45
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