Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010

A emergência de um País

Portugal está a transformar a emergência num modo de vida, o único ao qual somos capazes de reagir e responder, numa espécie de corrida contra o tempo que resulta das nossas próprias fragilidades, erros e incompetência. A negociação - de emergência - em torno da proposta de Orçamento do Estado para 2011 é isso mesmo, é o resultado de fragilidades da economia, erros de políticas e incompetência dos decisores.

Basta ver a definição de emergência em qualquer dicionário para perceber porque é que chegamos aqui. A título de exemplo, o dicionário online da Porto Editora define emergência como um “acontecimento inesperado ou de gravidade excepcional que requer (re)acção imediata ou urgente”. Ora, desde há anos que os governos sucessivos nos explicam a necessidade de medidas, planos e acções, todos de emergência, cada um mais urgente e necessário do que o anterior, para cumprir os compromissos europeus, para responder às crises, para salvar empresas falidas, para financiar negócios desnecessários, para legalizar operações à margem da lei, enfim, para um sem número de coisas que já nos esquecemos. Porque, pressentimos, a emergência está ao virar da esquina e vai ser mais urgente, ao ponto de desvalorizarmos o que já ultrapassamos.

Hoje, estamos numa situação de emergência porque segundo o primeiro-ministro José Sócrates e o ministro das Finanças Teixeira dos Santos foi necessário responder a uma crise internacional inesperada com (re)acções imediatas. Ou seja, a uma emergência. À emergência da crise soberana – e dos que, de repente e inesperadamente, para nós, claro, deixaram de acreditar na capacidade de Portugal de cumprir os seus compromissos – veio a emergência de mais um PEC, o III plano de ‘emergência’ e uma proposta de Orçamento que está a exigir reuniões de emergência para responder à emergência de uma crise financeira.

Agora, os portugueses estão confrontados com um orçamento de emergência nacional, um choque inesperado, de gravidade excepcional, para repor as contas públicas em ordem e a credibilidade externa do País. É, obviamente, uma emergência que, como afirmou Eduardo Catroga, ontem, ao Diário Económico, vai exigir negociações de emergência. O antigo ministro das Finanças, aliás, aceitou a responsabilidade de liderar a equipa negocial do PSD nas discussões com o Governo por um imperativo de dever cívico, no que classificou de “missão de emergência”.

Os portugueses, os que não decidem, os que não estão no Governo, os que pagam com os seus impostos os sucessivos planos de emergência, têm, também, uma emergência: no estado de emergência do País – medido em desemprego, recessão, défice e numa factura em juros da dívida pública portuguesa que já vale 6,3 mil milhões de euros, o mesmo valor destinado ao Ministério da Educação – não é tempo de jogos políticos, é tempo de entendimentos de emergência. Por uma vez, e que seja a última.

publicado por concorrenciaperfeita às 23:00
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