Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

É preciso consenso, dentro do Governo

 

Pedro Passos Coelho transformou a necessidade de um consenso com o PS na questão central da vida política portuguesa, mas percebe-se, desde há algumas semanas, que o principal problema de curto prazo é mesmo o consenso em torno de Vítor Gaspar e das políticas de corte de despesa para 2013 e anos seguintes.

O Governo anda há semanas a ganhar tempo, coisa que a 'troika' já percebeu, para anunciar as medidas de corte de despesa pública, leia-se a famosa reforma do Estado. Foi mais fácil, claro, aumentar sucessivamente os impostos, todos os impostos, do que pôr em causa o partido do Estado, e cortar nos gastos do Estado, não apenas nas áreas sociais, também nas áreas dos interesses. Porque a despesa do Estado é a receita de alguém, não apenas de um cidadão ou de uma família, é de uma empresa, de um lobbie e de um interesse. Já não há tempo para continuar a 'empatar' os nossos actuais credores.

É claro que a reforma do Estado - a verdadeira - e os cortes estruturais de despesa obrigam mesmo a um entendimento mínimo com o PS e com António José Seguro que não quer conversas, mas reconheceu, este fim-de-semana, que vai manter a austeridade, mas uma austeridade humana, presume-se, solidária. O problema é que o Governo precisa, primeiro, de se entender entre si, e Passos Coelho têm de pôr ordem na casa.

Em primeiro lugar, já se percebeu, o Governo está no jogo do empurra. Ninguém quer ser responsável por nenhuma medida difícil, depois, também já se percebeu que a reunião de conselho de ministros de amanhã vai ser mais uma desilusão para quem está à espera de medidas concretas. Gaspar está, portanto, à espera que Paulo Portas apresente o famoso guião da reforma do Estado, com as ditas medidas. E a 'troika' também, sem as quais não haverá os dois mil milhões que faltam da sétima avaliação nem sequer a renegociação das maturidades dos reembolsos de empréstimos.

A crise política está à espreita, mas suspeito que começará pelo Governo, entre ministros, pela coligação, que se agita por ser afastado do centro de poder, leia-se de São Bento.

A posição de Vítor Gaspar já era difícil no país, mas torna-se impossível dentro do próprio Governo e, agora, só mesmo o primeiro-ministro segura o ministro das Finanças. Não há Governo que resista a medidas de corte de despesa de um ministro das Finanças sem a participação activa dos ministros da tutela, particularmente das áreas sociais. Mas não há Governo que resista a uma guerra entre estes ministros e o titular da Praça do Comércio. O conselho de ministros de amanhã será um teste, dos decisivos, para a avaliação da coesão do Governo e da capacidade para chegar ao fim da legislatura.

 

 

PS: O 'diálogo' do Governo com o PS, esse, poderá ficar para mais tarde. Por responsabilidade própria, claro, mas também porque António José Seguro está ainda à procura de conciliar o inconciliável. Algumas das propostas económicas poderiam fazer parte do plano de fomento de Álvaro Santos Pereira, mas as mais relevantes estão dependentes da 'troika' e dos compromissos de austeridade que o Governo português, este ou outro, estiver disposto a fazer.

publicado por concorrenciaperfeita às 07:04
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds