Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

Um ministro diferente

O segundo Governo de José Sócrates está num processo de desgaste rápido, apesar de ter passado apenas um ano sobre a tomada de posse. São muitos – quase todos – os ministros que estão a pagar uma factura elevada pela crise económica e financeira do País, pelo facto de integrarem um Governo com apoio parlamentar minoritário e, também, por incapacidade política evidente para os cargos que ocupam.

Neste momento, o Governo está quase reduzido a José Sócrates e ao seu núcleo duro político, particularmente a Pedro Silva Pereira, e Teixeira dos Santos resiste como pode a derrapagens orçamentais que são, sobretudo, resultado da sua gestão. Ficam os falhanços de nomes como António Mendonça, Helena André, Dulce Pássaro ou António Serrano, que não vão ficar para a história. Sobram nomes como Vieira da Silva, totalmente deslocado no Ministério da Economia, porque não tem discurso para os empresários. E resta um ministro diferente: Luís Amado.

O ministro dos Negócios Estrangeiros parece pairar ao lado da mediocridade política de um Governo que ainda não caiu porque tem um primeiro-ministro que se chama José Sócrates Pinto de Sousa. Luís Amado, é certo, está numa pasta ‘diferente’, acima das querelas políticas internas, não tem de pagar o desgaste de um combate que, por exemplo, um ministro como Augusto Santos Silva não se importou de assumir. Mas também é verdade que, quando as coisas correm bem, parece tudo muito simples, óbvio e até fácil. Quando a presidência portuguesa da União Europeia foi um sucesso, quando virou o País para o Brasil e para África, quando ‘ganhou’ a eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da ONU.

Em Maio deste ano, em entrevista ao Diário Económico, Luiís Amado afirmou: “Perante esta situação de emergência, o risco de termos um governo minoritário – o único na Europa – é muito grande”. E, na mesma entrevista, propôs, contra a opinião pública e notória de Sócrates, a introdução de tectos ao défice e ao endividamento na Constituição. Como estava certo e hoje, em declarações nesta edição, volta a dizer o que muitos parecem não querer perceber: “Sem um acordo alargado, não é possível mudar o País”.

Esta afirmação é tão mais importante quando decorrem negociações entre o Governo e o PSD para viabilizar o orçamento para 2011. Estão a demorar demasiado tempo, não porque não seja importante ter um orçamento para o próximo ano, mas porque este orçamento é conjuntural e não abre perspectivas para nada no futuro. O País precisa de mudar e isso não será conseguido com este orçamento, só com um entendimento alargado entre os partidos da governação, leia-se PS, PSD e CDS, independentemente de quem estiver no Governo, com ou sem maioria absoluta. A esquerda à esquerda do PS auto-exclui-se deste futuro.

Estamos, portanto, numa situação de impasse, de abstenção política, da qual não sairemos tão cedo, mesmo com um orçamento aprovado, absolutamente necessário neste quadro político, financeiro e económico-social. Podemos começar já a olhar para o dia seguinte, aquele que chegará para forçar um entendimento político alargado.

publicado por concorrenciaperfeita às 23:47
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