Quinta-feira, 30 de Maio de 2013

A nova Caixa

 

 O ministro das Finanças decidiu, finalmente, mudar a administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e vai formalizar a nova equipa amanhã em assembleia-geral. Mas espera-se que Vítor Gaspar não mude tudo para tudo ficar na mesma. 

A CGD - já o escrevi neste espaço - assemelhou-se no pior e não se distinguiu no melhor em relação ao sector bancário, principalmente por responsabilidade directa do accionista Estado, leia-se dos sucessivos governos. E também deste, que acabou por perder dois anos, e demonstrou a sua insatisfação da pior forma, com instruções públicas à gestão sobre a política de crédito do banco público. O accionista tem todo o direito, e o dever, de definir a orientação estratégica da Caixa, mas não o fez, e quando o fez foi da pior forma, a partir da Assembleia da República. É a política.

As mudanças são uma oportunidade, se forem aproveitadas.

Em primeiro lugar, a carta de missão que o Governo, enquanto accionista, quer impor na Caixa, e que ainda não é conhecida, foi clara e transparente nos objectivos e nas metas definidas. Se há coisa que tem variado ao longo do tempo é a missão, ao sabor dos ministros que vão passando pelas finanças e dos interesses partidários de cada Governo. 

Em segundo lugar, o Governo, enquanto accionista, tem de cumprir, de facto, as condições que se exigem para o bom funcionamento do modelo de governação que está em vigor, com um conselho de administração com um 'chairman' e um presidente executivo. Aparentemente, Gaspar quer manter este modelo - não vai dar o braço a torcer em tudo - mas, se assim for, é absolutamente urgente que entrem mais administradores não-executivos, além dos três que estão em funções. Só assim, com um número de não-executivos superior ao de executivos, e com um 'chairman' que seja, de facto, o único elo de relacionamento com o accionista, é que este modelo poderá ser testado.

Em terceiro lugar, o Governo, enquanto accionista, deve escolher os novos membros da equipa executiva com experiência bancária de empresas. A história da Caixa, o seu DNA, assenta numa experiência e competência no retalho, no crédito à habitação, nos depósitos e no financiamento do próprio Estado. A sua rede comercial, as suas equipas, estão talhadas para isso, portanto, uma mudança de 'shift', uma maior agressividade comercial no financiamento das empresas, particularmente das PME, como o Governo, e bem, deseja, não se faz por decreto. Faz-se com pessoas com experiência nesta área.

São estas as três condições essenciais para que, a uma nova equipa, se suceda também uma nova Caixa.

 

Pois é!

 

"Certamente sou responsável por vários erros", disse, em tom cândido, o ministro das Finanças Vítor Gaspar, sobre os resultados de uma estratégia que nos conduzirá a mais uma recessão histórica em 2013. Pois é! E esse é o seu principal problema, reconhecer tarde o que deveria ter reconhecido, e feito, mais cedo. O problema não é o desenho do programa de ajustamento assinado em meados de 2011, porque já se identificavam, desde o início, os seus defeitos e virtudes. O problema é que o ministro das Finanças deixou esgotar um plano que o próprio diz ter sido mal negociado. E, no entretanto, nos 24 meses seguintes, foi bem renegociado?

 

publicado por concorrenciaperfeita às 07:14
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