Terça-feira, 4 de Junho de 2013

O que não sabemos dos 'swap'

José Silva Rodrigues era presidente da Carris, foi promovido já por este Governo a presidente da nova empresa de transportes Metro/Carris, recebeu um louvor do accionista em Março de 2013 e, no espaço de meses, acaba despedido por falta de confiança da tutela. É um retrato, um exemplo apenas, do que ainda não sabemos sobre o caso dos 'swap'.

Em primeiro lugar, o Governo tem todo o direito e legitimidade de escolher os gestores que entende serem os mais adequados ao cumprimento dos objectivos definidos para cada empresa pública. Não é, portanto, isso que está em causa. O que se exige saber é como chegamos até aqui, até à decisão de demitir um gestor que tinha merecido a confiança da dupla tutela (leia-se Finanças e Transportes) e que acaba com o nome na lama, como outros, por causa de um processo sobre o qual nada ou quase nada ainda se sabe.

O caso dos 'swap' já era conhecido desde o primeiro dia em que o Governo tomou posse, desde que a 'troika' chegou a Portugal. Já se sabia o seu impacto nas contas. E ganhou peso político quase dois anos depois quando Pedro Passos Coelho demitiu dois secretários de Estado que, em tempo anterior, tinham assinado contratos considerados tóxicos na sociedade Metro do Porto.

Desde então, o Governo tem gerido a informação a conta-gotas, e ainda não foi revelado o relatório do IGCP, assessorado pela Storm Harbour, que sustentou a identificação dos 57 contratos de um total de quase duas centenas que ultrapassou os limites do razoável, isto é, a pura e simples cobertura de risco de variação de taxa de juro.

O Governo terá as suas razões, mas não as conhecemos. Nem sequer os acordos de resolução de alguns dos contratos tóxicos, nem os diferendos que separam o Governo do Banco Santander e do J.P. Morgan. E menos ainda os efeitos destes contratos - os ditos tóxicos e, já agora, os outros - nas contas públicas, isto é, nos impostos que temos de suportar, hoje e no futuro.

O que não sabemos faz toda a diferença, mas as decisões já estão tomadas e não esperaram por uma Comissão Parlamentar de Inquérito que, é certo, tem outro alcance, mas decidiu ouvir toda a gente, a melhor forma de não ouvir ninguém.

 

 

 

Miguel Poiares Maduro e Sérgio Monteiro enfrentaram, ontem, manifestações e protestos em conferências públicas que os limitaram ou impediram mesmo de tomar a palavra. Afinal, se o primeiro-ministro pensava que a demissão de Miguel Relvas seria suficiente para travar estas iniciativas - umas absolutamente pueris, outras simplesmente intoleráveis - enganou-se. O caminho que se está a percorrer é perigoso, e um dos principais responsáveis, ironicamente, é um dos pais da democracia, Mário Soares. O líder espiritual do PS - de quem, António José Seguro, inteligentemente, se afasta sempre que pode - resistiu e enfrentou o povo na Marinha Grande, mas incita, agora, à sublevação, e só falta mesmo aproximar-se de Otelo e pedir uma revolução, armada, claro. Assim, acaba-se de vez o problema da legitimidade política de um Governo que foi eleito nas urnas.

 

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 07:17
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