Quarta-feira, 5 de Junho de 2013

Oi!? Tou chegando

A PT e a Oi estão condenadas a entenderem-se sob pena de se tornarem domésticas e irrelevantes, por isso a transferência de Zeinal Bava para a presidência executiva da empresa brasileira é, além do reconhecimento da competência do gestor português, a confirmação de que o noivado estava muito longe de ser feliz. É um passo, que só peca por tardio, para forçar a construção de uma empresa luso-brasileira. Primeiro, pela operação, depois, pelos accionistas.

Quando os accionistas de referência da PT decidiram, e bem, vender a Vivo à Telefónica - um negócio astronómico e irreversível, só explicado porque do outro lado estava uma empresa espanhola, e isto não é um elogio - e entrar no capital da Oi, sendo a única alternativa possível, era também a mais difícil. Porquê? Porque o futuro da PT ficava dependente do sucesso e do insucesso da operadora brasileira. E, nestes últimos dois anos, foram sobretudo insucessos, apesar do envolvimento e do empenho da gestão da PT. É bom recordar que a Oi estava sem presidente executivo há meses.

Em primeiro lugar, uma nota sobre o método: o contrário do que o Governo e o ministro das Finanças seguiram na CGD. Sem fugas de informação, num conselho de administração, em horas, Zeinal Bava demite-se da PT, é nomeado CEO da Oi, Henrique Granadeiro acumula o cargo de chairman com a presidência executiva da PT e mantém a comissão executiva em funções. Tudo limpo, sem espinhas. Para aprenderem.

Portugal já era demasiado pequeno para as ambições e competências de Zeinal Bava, considerado por quatro vezes o melhor CEO da Europa de telecomunicações. A entrada da PT no capital da Oi criou as condições que o levam hoje a mudar-se para Rio de Janeiro, onde será testado ao limite, mas se esse negócio não tivesse existido, Bava já não seria presidente executivo da PT. Também por sua responsabilidade, porque não quis, ou não pôde, abrir novos mercados para a PT. Ficou Angola, que dá dinheiro, mas sem o mínimo de influência, e de onde acabará por sair a bem ou a mal, e o Brasil.

O mercado gostou das notícias, e percebe-se porquê. Pela qualidade de Zeinal, porque o novo líder da Oi será o responsável pelas sinergias entre as duas empresas, e a Oi tem muito a aprender com a PT, e porque este é o primeiro passo concreto da fusão. Finalmente, porque a Oi estava sem rumo, e não era de hoje, e sem líder.

A fusão accionista entre a PT e a Oi tem pelo menos um ano de atraso, os investidores já estavam também convencidos disso, os accionistas também, mas isso não foi suficiente para chegarem a um acordo. Pior, à medida que o tempo passava, as contas degradavam-se, os rácios também e a inevitabilidade de uma fusão era evidente, e que só divergências de números, o que conta no final do dia, entre quem manda no capital estão a atrasar.

Zeinal será decisivo, vai tornar evidente que os accionistas só podem mesmo entender-se. Vai casar a operação, antes de os accionistas se casarem. E Henrique Granadeiro, que vai voltar a um lugar onde já foi feliz - um risco - também. Granadeiro vai ter de fazer o resto, vai ter de trabalhar, como chairman e presidente executivo da PT, para a fusão, a saída que torna tudo isto lógico. Se os accionistas não o fizerem, vão acabar pior do que estão hoje.

publicado por concorrenciaperfeita às 07:19
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