Quarta-feira, 12 de Junho de 2013

O BCE é o melhor que nos pode suceder

Vítor Gaspar apresentou um Orçamento Rectificativo que tem apenas um objectivo, o de ganhar tempo, o necessário, para levar Portugal ao programa cautelar, uma espécie de novo memorando de entendimento, desta vez apenas com o BCE. É o melhor que nos pode suceder, agora, e no orçamento de 2014.

O Governo, é justo reconhecê-lo, entrou em funções num contexto absolutamente crítico e ganhou, nos primeiros dois anos, a credibilidade internacional que nos permite ‘sonhar' com o fim do programa de ajustamento assinado, sob pressão, com a ‘troika'. E muito foi feito, mas com as prioridades erradas, como hoje reconhece o ministro das Finanças. A consolidação orçamental - leia-se o aumento de impostos - foi o mais importante instrumento de redução do défice público, mas isso esmagou a economia e, agora, a reforma do Estado é muito mais difícil. Sejamos sinceros, é mesmo impossível neste quadro político.

O Governo bateu numa parede, pelo menos neste ciclo político. E já não conseguirá fazer muito mais. O orçamento rectificativo - ‘apenas' o primeiro do ano de 2013 - e o que nos reserva o orçamento de 2014 serão pouco mais do que fórmulas para nos levarem a resistir, a sobreviver, até Junho de 2014, até à entrada em funcionamento do chamado OMT, o programa conduzido pelo BCE para financiar Estados em dificuldades.

Como disse, e bem, Cavaco Silva na entrevista à RTP, um segundo resgate será, simplesmente, o falhanço total do programa de ajustamento. Seria penoso. Para os portugueses, porque o que se seguiria seria muito pior, para Pedro Passos Coelho, que disse um dia que estava a lixar-se para as eleições, mas fez, inusitadamente, uma declaração a mostrar a sua disponibilidade para um segundo mandato. Se houver um segundo resgate, Passos Coelho sabe-o, conseguirá sair pior do que José Sócrates. Seria uma ironia cruel, mas ninguém disse que a vida é justa.

Claro, está tudo dependente da Alemanha ou, na lógica de Mira Amaral, seja o que a senhora Merkel quiser. O Tribunal Constitucional alemão decide hoje se a Alemanha pode aprovar o programa cautelar do BCE, e em que condições, uma intervenção judicial na independência da autoridade monetária europeia que tem graça por surgir do país que mais defende a independência do banco central hoje liderado pelo italiano Mario Draghi.

É só mais uma evidência que o Governo, agora, tem sobretudo de não fazer disparates, porque ninguém quer um segundo resgate, aliás, como ficou claro da vontade do FMI de deixar a Europa entregue a si própria e à Comissão Europeia. Cavaco Silva já disse ao que vai, portanto, a capacidade de Portugal chegar ao programa do BCE - se a Alemanha deixar - depende mais do que nunca de Passos Coelho e Paulo Portas

publicado por concorrenciaperfeita às 07:00
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