Sexta-feira, 14 de Junho de 2013

As linhas e as entrelinhas do relatório do FMI

 

Cavaco Silva afirmou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) deveria ser substituído na 'troika' por um fundo monetário europeu, coisa, aliás, que o próprio FMI quer desesperadamente. E, à medida que esse dia se aproxima, os relatórios de Washington devem ser lidos com toda a atenção, nas linhas, mas sobretudo nas entrelinhas.

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer, para a história, que o FMI é no nosso melhor amigo na 'troika'. As informações e relatórios públicos, e as reuniões privadas dos últimos dois anos, mostram que o fundo foi, crescentemente, sensível à dimensão económica do ajustamento financeiro, coisa que só se vê agora da Comissão Europeia. Sobretudo por conveniência, até para consumo político interno, e não por convicção.

Em segundo lugar, o FMI só foi chamado a esta história das crises soberanas porque a Europa não estava preparada para resolvê-las, nem do ponto de vista institucional, nem financeiro. Hoje, já tem o Mecanismo de Estabilidade Europeu - o que será o novo Fundo Monetário Europeu - e dotação financeira. Mas, há quatro anos não tinha, e foi preciso chamar o FMI.

O relatório do FMI sobre Portugal não surpreende nos números. Tem esta coisa, desagradável, de dar informação aos portugueses que deveria ter sido prestada pelo Governo, como a data de 15 de Julho para serem conhecidas com detalhe as medidas de reforma do Estado. Dito isto, não é o mais relevante do relatório sobre a sétima avaliação da 'troika'.

O que fica, e que será discutido até à exaustão, e que no fundo tem implícita a necessidade de um novo ciclo político - não necessariamente com eleições antecipadas - é que o ímpeto reformista está a abrandar. O FMI ainda não foi embora, ainda tem dinheiro a receber, percebe-se por isso o eufemismo. O ímpeto reformista acabou. A partir de agora, o Governo tem de conseguir os melhores resultados possíveis com o que fez e com o que não fez. Vítor Gaspar já assumiu que deveria ter começado a legislatura com a reforma do Estado. Pois deveria e, agora, estaria a beneficiar desses resultados, e não teria asfixiado a economia. Poupou-se a trabalhos no início do Governo para arranjar dois grandes problemas a meio do caminho.

O FMI tem elogios, mas tem, sobretudo, dúvidas. Sobre a consistência do ajustamento, sobre a fiabilidade do ajustamento, sobre a perenidade do ajustamento. O FMI tem as dúvidas que os portugueses têm.

 

PS: Pedro Reis, afinal, não vai para a administração da CGD, porque, aparentemente, os outros banqueiros mostraram-se incomodados com a nomeação do presidente da AICEP para não-executivo do banco público. Coisa que se soube já depois da indigitação de Pedro Reis e a aprovação do seu nome na comissão que avalia os candidatos a cargos públicos. Além da digna decisão de Pedro Reis, se isto não fosse trágico, seria cómico. Escrevi, neste espaço, no dia 3 de Junho, que alguém deveria assumir responsabilidades pela degradação da imagem da Caixa neste processo. "Deviam ter vergonha". Só não desconfiava que estava a pecar por defeito.

publicado por concorrenciaperfeita às 07:00
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