Quarta-feira, 26 de Junho de 2013

Credores não querem saber das greves

 

Os portugueses estão mergulhados nas discussões das greves, são as dos professores em dia de exames, é a da Função Pública, sem direito a serviços mínimos nos transportes. Como se estivéssemos muito bem, com se o acesso a financiamento fosse garantido e já tivéssemos até concluído o programa de ajustamento. O problema é que os credores, os outros, não a 'troika', não parecem muito preocupados com as nossas greves.

Há, por aí, realidades paralelas, que não se tocam. O mundo, os mercados, os investidores que financiam os países, vivem um ambiente de tensão desde que o presidente da Fed, Ben Bernanke, revelou uma profissão de fé na recuperação da economia norte-americana e anunciou que, em breve, vão acabar-se os estímulos monetários. Quem está a pagar? A bolsa e a dívida pública nacional, pois claro, o regresso assegurado aos mercados que, afinal, não está assim tão seguro, nem para Portugal, nem para outros países do euro, não só para os periféricos. Mas, claro, para a realidade interna, a outra, nada disso interessa, o que interessa são as greves, as discussões sobre o fim da austeridade 'versus' o crescimento económico.

O problema, claro, é que os credores não se impressionam com os professores e com os funcionários públicos. Os juros da dívida pública nacional estão de regresso às subidas, logo, poderemos esperar novos efeitos negativos nos resultados dos bancos, que nos últimos trimestres beneficiaram de resultados financeiros... com a dívida pública. Quando todos querem mais financiamento e mais capitalização das empresas, estes últimos dias deveriam ser, no mínimo, um aviso laranja. Pelos vistos não é, é preferível que tudo continue na mesma, que o Estado se mantenha como está, não se sabendo como o vamos financiar. Nada disso importa.

Isto, ou seja, a crise financeira que se não estabilizar, não poderá dar lugar a uma recuperação da economia, não é um problema de partidos, já não é sequer um problema de governos. É, mesmo do mundo, como se percebe das consequências do discurso do presidente da autoridade monetária dos EUA. Nem a promessa de Mario Draghi - de que faria o que fosse necessário para segurar o euro - está a ser suficiente. Em três dias, a bolsa portuguesa perdeu quase 10%, uma fortuna destruída.

O Governo não ajuda, os casos multiplicam-se e a ideia de reuniões diárias entre Poiares Maduro e os jornalistas tem tudo para dar errado, mas convenhamos que é difícil governar neste quadro, como se Portugal fosse um país de fronteiras fechadas, imperturbável perante as decisões dos investidores e credores que, bem ou mal, são quem dita as regras. Porquê? Porque quisemos, todos, viver à custa do crédito, não só em Portugal

publicado por concorrenciaperfeita às 07:08
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds