Sexta-feira, 28 de Junho de 2013

Podem marcar as greves que quiserem

O país regressa hoje à normalidade, a possível, depois de um dia de greve geral que, como se esperava, parou sectores do Estado e os transportes, os mais mediáticos, e afectou o sector privado. Os problemas, esses, continuam e, para quem aderiu à greve de ontem, tenho uma notícia em primeira mão: o que aí vem é mais exigente, com este Governo do PSD/CDS ou com o PS.

Esta greve realizou-se, por coincidência, a um ano do fim do acordo de ajustamento assinado com a ‘troika', o programa que, hoje, ninguém quer e, mais ainda, ninguém perfilha. E, por isso, vale a pena olhar para esta greve, esta iniciativa sindical que, como confessava Arménio Carlos, visou fragilizar o Governo, à luz do que nos espera. O objectivo das centrais sindicais pode até parecer bondoso, tendo em conta os erros de Passos Coelho e de Vítor Gaspar, o maior dos quais ter deixado para o fim a reforma do Estado, e a surdez da própria ‘troika'. Além da fadiga da austeridade, que já ninguém suporta.

É claro que o plano de ajustamento foi levado longe de mais, sobretudo porque assentou no brutal aumento de impostos com as consequências que se conhecem, e sofrem. Percebe-se, por isso, a indignação dos portugueses, dos que aderiram à greve, e dos outros, os que, mesmo trabalhando, têm óbvias razões de queixa da forma como o Governo conduziu, nestes dois anos, um necessário processo de ajustamento.

A greve serviu para alguma coisa? Serve sempre, nem que seja para demonstrar esse descontentamento. Mas valeria a pena, verdadeiramente, se pudesse produzir efeitos. E não pode. Pior, o que aí vem, depois de Junho de 2014, se lá chegarmos inteiros, vai ser mais exigente. Fica uma imagem, de Vítor Bento, suficientemente clara: Portugal está a andar de bicicleta com a ajuda de três rodinhas e, quando a ‘troika' for embora, teremos de andar apenas com uma rodinha. Alguém acha que vai ser mais fácil?

Portugal, leia-se os partidos do Governo e o PS, subscreveu o tratado orçamental, está comprometido com objectivos que só podem ser cumpridos com cortes de despesa, portanto, a discussão sobre a austeridade e o crescimento é tudo menos útil. Serve para unir os portugueses contra uma política, mas unir os portugueses a favor de um caminho é outra coisa, bem diferente.

Quando sair a ‘troika', fica a Comissão Europeia. E só o cumprimento de um novo acordo - conhecido como programa cautelar - garantirá uma rede de segurança do BCE. E a ideia de que as eleições alemãs tudo resolverá ou, melhor, tudo facilitará, é, no mínimo, ingénua.

As necessidades de financiamento do Estado vão continuar e só poderão diminuir se o Governo, este ou outro, fizer as reformas, não só a do Estado, mas as outras, as que ainda não foram levadas até ao fim, mas que já provocaram quatro greves gerais. Para tornar o Estado sustentável do ponto de vista financeiro e a economia competitiva. Com mais diálogo, com mais concertação, com mais comunicação, seguramente. Mas, sem essas reformas, os credores não se comoverão. Podem marcar as greves que quiserem

publicado por concorrenciaperfeita às 07:09
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