Quinta-feira, 4 de Julho de 2013

Um Governo ligado à máquina

 

Quem assiste a este teatro em que se transformou a vida política portuguesa, à destruição da credibilidade externa do país e da legitimidade interna do Governo em apenas três dias só pode desconfiar das negociações que, agora, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas vão iniciar para manterem o Governo ligado à máquina.

Os mercados, ontem, deram a resposta que se esperava à crise política: a bolsa portuguesa perdeu 2,3 mil milhões de euros e só a banca mais de 600 milhões e a 'yield' da dívida pública portuguesa bateu os 8% ao longo do dia. Os credores não querem eleições antecipadas, mas, mais do que isso, não querem mesmo é esta incerteza política, este pântano do qual parece impossível sair de forma consistente sem eleições antecipadas.

Este Governo de coligação bateu no fundo, e ainda não é claro porquê, porque é que Paulo Portas saiu, e não pode ser apenas irresponsabilidade, tem de ser mais, tem de ser outra coisa. A escolha de Maria Luís Albuquerque está longe de ser a melhor, é a possível para Passos Coelho centralizar o poder e garantir fidelidade, mas não pode explicar uma crise política como esta. Agora, também, é irrelevante, o mal está feito, e a primeira factura já nos foi apresentada.

A partir de agora, a questão relevante é se este Governo consegue sobreviver, literalmente em coma assistido, até ao fim deste programa de ajustamento, e se isso, neste contexto, é a melhor solução para o país.

Duvido. A estabilidade política perdeu-se e, agora, qualquer entendimento terá a solidez do Conselho de Coordenação da Coligação, criado pelo PSD e CDS para ultrapassarem as divergências e que reuniu uma vez. Com os resultados que se conhecem.

Verdadeiramente, a única missão do Governo, se se mantiver em funções, é evitar o segundo resgate, e levar o país até ao programa cautelar. As necessidades de financiamento do Estado estão asseguradas para 2013, mas será necessário mais de 13 mil milhões de financiamento no próximo ano. Mas, para evitar o recurso a mais um resgate, não basta ao Governo apenas existir, tem de fazer, e esse é o problema. A ministra das Finanças está absolutamente debilitada do ponto de vista político - também por responsabilidade de Pedro Passos Coelho - mas é Maria Luís Albuquerque que tem de impor os cortes necessários para cumprir o défice e a dívida acertados com a 'troika'. O corte de 4,7 mil milhões de euros desapareceu da discussão da pequena política, mas não da realidade das contas públicas. E, mesmo com a complacência silenciosa da 'troika' que também não quer outra Grécia, o trabalho é literalmente impossível neste contexto político e social.

Portanto, as negociações de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas cheiram a artificial, podem até dar mais uns meses de vida a este Governo, mas tem uma data de validade: a apresentação do Orçamento do Estado do próximo ano, no dia 15 de Outubro.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 07:54
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